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Os agentes culturais dos Açores apelaram hoje à centralidade das políticas na área da Cultura a nível regional e nacional e alertaram para a importância da educação e da profissionalização do setor.
Na terceira edição do Fórum Cultura, evento organizado pelo Governo da República que aconteceu em Ponta Delgada, os agentes culturais lembraram a relevância da cultura para o desenvolvimento social e económico e defenderam políticas para promover o acesso às práticas culturais.
Jesse James, da Anda&Fala e organizador da bienal Walk&Talk, lembrou que o setor é “marcado por muita intermitência, precariedade, muitos modelos de trabalho com dimensão informal” e lamentou a falta de estratégia para a cultura nos Açores.
“Infelizmente, nesta região, não houve capacidade de centralizar a cultura como vetor de desenvolvimento da região. Neste momento, continua a não acontecer”, afirmou.
Já a coreógrafa Maria João Gouveia sinalizou a necessidade de tornar “mais próximo, acessível e prático” o Estatuto dos Profissionais da Cultura, tal como a investigadora Susana Menezes que considerou que aquele estatuto está “desajustado da volatilidade do trabalho”.
A musicóloga Isabel Albergaria Sousa salientou a importância da intervenção junto de públicos mais jovens para promover a democratização cultural.
“Cultura é um bem de primeira necessidade. Não só um bem essencial, mas de primeira necessidade. Temos o currículo de português, história e tudo mais. Esquecemo-nos da parte cultural. Não me refiro apenas à parte artística, mas a parte cultural como essência da nossa condição ficou esquecida”, afirmou.
Já o escritor Pedro Almeida Maia defendeu a necessidade de profissionalizar o setor e de intervir ao nível da Educação e propôs a revisão dos planos nacional e regional de leitura, bem como a criação de bolsas de escrita.
O programador e diretor do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, Alexandre Pascoal, recordou que a maioria dos concelhos dos Açores tem “baixa densidade cultural” e considerou que o atual Estatuto foi “menos desenhado para as artes visuais” e tem um “efeito perverso” nos descontos ao Estado feito pelos profissionais e por quem os contrata.
Na sessão, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, lembrou que o Governo pretende rever o estatuto profissional e afirmou que “valorizar a cultura implica reconhecer o papel central dos seus profissionais”.
“Trabalhar na cultura não pode significar instabilidade permanente ou ausência de proteção laboral. É um trabalho exigente, com características próprias e marcado por dinâmicas muito específicas, mas que deve ser exercido com dignidade e reconhecimento”, afirmou Margarida Balseiro Lopes.
O terceira edição do Fórum Cultura decorreu entre segunda-feira e hoje, uma iniciativa organizada pelo Governo em parceria com Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026.
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