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A longa-metragem “Gelbe Briefe” (“Yellow Letters” - título em inglês) do cineasta turco-alemão Ilke Çatar venceu o Urso de Ouro de Melhor Filme da 76.º ‘Berlinale’, o festival de cinema de Berlim, cujo palmarés foi hoje anunciado.
O filme que conquistou o prémio mais importante do festival conta a história de um casal de artistas, ele realizador e ela atriz, impedidos de trabalhar devido às suas opiniões políticas.
O júri oficial, presidido este ano pelo realizador alemão Wim Wenders, atribuiu ainda o Urso de Prata Grande Prémio do Júri a “Kurtulus” (“Salvation” – título em inglês), do turco Emin Alper, e o Urso de Prata Prémio do Júri a “Queen at sea”, do norte-americano Lance Hammer.
Na 76.ª edição da ‘Berlinale”, o Urso de Prata de Melhor Realização foi para “Everybody digs Bill Evans”, do britânico Grant Gee, o Urso de Prata de Melhor Interpretação Principal foi para a alemã Sandra Hüller, por “Rose”, e o de Melhor Interpretação Secundária para os britânicos Anna Calder-Marshall e Tom Courtenay, por “Queen at sea”.
A programação da edição deste ano, que começou em 12 de fevereiro, inclui mais de 200 filmes e pretende refletir “o estado atual do cinema internacional”.
A diretora artística da ‘Berlinale’, Tricia Tuttle, sublinhou, em entrevista à Agência France Presse, a diversidade na escolha das obras, com o objetivo de “refletir o estado atual do cinema internacional”.
“Muitos filmes examinam a forma como as nossas vidas privadas são moldadas pelas grandes forças políticas e sociais”, acrescentou na mesma ocasião.
A 76.ª edição do festival de Berlim, que termina no domingo, começou debaixo de polémica pelas declarações de Wim Wenders, que considera que os cineastas não podem entrar verdadeiramente no domínio da política e que devem manter-se à margem.
“Se fizéssemos filmes dedicados à política, entraríamos nesse domínio da política. Mas nós somos o contrapeso da política. Somos o contrário da política. Temos de fazer o trabalho das pessoas e não o trabalho dos políticos”, afirmou o cineasta, assumindo uma posição considerada excessivamente branda por muitos jornalistas.
Entretanto, no dia 17 de fevereiro, mais de 80 profissionais do cinema, que já participaram na ‘Berlinale’, como os realizadores Miguel Gomes e Fernando Meirelles e a atriz Tilda Swinton, apelaram ao Festival de Berlim, numa carta aberta, para que se oponha “ao genocídio” de Israel contra os palestinianos.
Os profissionais manifestaram-se “consternados com o envolvimento da ‘Berlinale’ na censura de artistas que se opõem ao genocídio em curso de Israel contra os palestinianos em Gaza e com o papel fundamental do Estado alemão em possibilitá-lo”.
“Apelamos à ‘Berlinale’ para que cumpra o seu dever moral e declare claramente a sua oposição ao genocídio, aos crimes contra a Humanidade e aos crimes de guerra de Israel contra os palestinianos, e que ponha fim ao seu envolvimento em proteger Israel das críticas”, referiram na carta divulgada.
Consideraram também que, “apesar das muitas provas da intenção genocida de Israel, dos crimes atrozes sistemáticos e da limpeza étnica, a Alemanha continua a fornecer a Israel armas para exterminar palestinianos em Gaza”.
A escritora e ativista indiana Arundhati Roy cancelou a presença na ‘Berlinale’, após o comentário de Wim Wenders.
“Ouvi-los dizer que a arte não deve ser política é espantoso. É uma forma de silenciar uma conversa sobre um crime contra a humanidade enquanto este se desenrola diante de nós em tempo real, quando artistas, escritores e cineastas deveriam estar a fazer tudo o que é possível para o travar”, afirmou.
Dias depois, a diretora artística do festival de Berlim, Tricia Tuttle, emitiu um comunicado em defesa da liberdade de expressão do festival e de quem nele participa.
“Os artistas são livres para exercer o seu direito à liberdade de expressão da forma que entenderem. Dos artistas não se deve esperar que comentem todos os debates sobre práticas do festival sobre as quais não têm controlo. Nem se deve esperar que se pronunciem sobre todas as questões políticas que lhes são apresentadas, a menos que queiram fazê-lo”, afirmou Tricia Tuttle.
O 76.º festival de Berlim abriu com “No Good Men”, terceira longa-metragem da realizadora afegã Shahrbanoo Sadat e cuja história se situa no Afeganistão em 2021, pouco antes do regresso ao poder dos talibãs, que defendem uma interpretação severa do Islão.
A atriz malaia Michelle Yeoh recebeu um prémio de carreira, sendo ainda a protagonista, em múltiplos papéis em simultâneo, da curta-metragem “Sandiwara”, do realizador Sean Baker.
A participação portuguesa no festival passou pelas coproduções, nomeadamente em “Nosso Segredo”, da brasileira Grace Passô, que esteve na competição “Perspetivas”. O filme debruça-se sobre uma família que “vagueia pela casa em silêncio, lutando para reconstruir as suas vidas após uma perda recente”, segundo o festival.
A produtora portuguesa Bam Bam Cinema, do realizador Paulo Carneiro, teve duas coproduções com a Colômbia em estreia em Berlim: a longa-metragem “Pedras Preciosas”, de Simón Vélez, na secção Fórum, e a curta-metragem “Filme Pin”, de Maria Rojas Arias e Andrés Jurado, no programa Fórum Expandido.
Rodado em Portugal, “Filme Pin” é um retrato sobre a ditadura do Estado Novo, a partir de uma coleção de crachás que pertenceu ao médico e antifascista Carlos Plácido (1925-2013), que esteve envolvido nos anos 1960 na fuga de militantes comunistas da prisão na Fortaleza de Peniche.
Em Berlim, no programa Panorama figura “Narciso”, de Marcelo Martinessi, uma produção que junta Paraguai, Alemanha, Uruguai, Brasil, Espanha e Portugal (Oublaum Filmes).
No mercado dedicado ao audiovisual, em paralelo ao festival, foram mostradas as séries “Leonor, Marquesa de Alorna”, produzida pela Ukbar Filmes, em coprodução com a espanhola Tornasol Media, e “Refúgio do Medo”, série luso-islandesa rodada na Islândia, ambas para a RTP.
A atriz luso-cabo-verdiana Cleo Diára participou no programa europeu de talentos “Shooting Stars”, também em paralelo ao festival.
Foto: Still de “Gelbe Briefe”, de Ilke Çatar
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