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Bienal de Veneza abre hoje sob polémica e com visitantes no lugar do júri

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LUSA
9 de Maio de 2026

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Bienal de Veneza abre hoje sob polémica e com visitantes no lugar do júri

A 61.ª Bienal de Arte de Veneza abre hoje ao público com 100 pavilhões nacionais, uma exposição geral com 111 participantes, e uma polémica que levou à demissão do júri internacional para o palmarés que será decidido pelos visitantes.


Sob o tema “In Minor Keys” e com conceito da curadora-geral Koyo Kouoh (1967-2025), a Bienal de Arte de Veneza terá ainda 31 eventos paralelos em vários locais de Veneza até 22 de novembro, data em que serão atribuídos os prémios do certame mundial dedicado à arte contemporânea, ao contrário do habitual anúncio da cerimónia de abertura.


Além de Portugal, que estará representado pelo projeto artístico “RedSkyFalls”, do artista Alexandre Estrela, comissariado pela Direção-Geral das Artes com curadoria de Ana Baliza e Ricardo Nicolau, no Palácio Fondaco Marcello, do universo lusófono participam também as representações nacionais do Brasil e de Timor-Leste.


A crise na Bienal de Arte de Veneza 2026 teve origem a 23 de abril, quando o júri internacional anunciou um boicote inédito: excluir da atribuição de prémios países cujos líderes fossem acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional.


Esta decisão, que atingia diretamente as representações de Israel e da Rússia, introduziu uma dimensão política num evento tradicionalmente centrado na criação artística.


A decisão do júri presidido pela curadora e gestora cultural brasileira Solange Oliveira Farkas gerou polémica imediata no meio cultural e diplomático, e a Fundação da Bienal e o governo italiano reagiram contra este critério, defendendo a neutralidade institucional e recusando qualquer forma de censura.


A organização sublinhou que a Bienal “deve permanecer um espaço aberto à participação internacional” e distanciou-se da decisão do júri, considerada autónoma, gerando um impasse que se agravou com pressões políticas e divergências internas, incluindo posições críticas por parte do executivo italiano.


Perante este conflito institucional e a falta de consenso, os cinco membros do júri demitiram-se em bloco a 30 de abril, apenas nove dias antes da inauguração. O painel era ainda composto por Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi.


Como consequência, a entrega do Leão de Ouro foi adiada para o encerramento da exposição, e, na ausência de júri, a organização introduziu um novo modelo de participação, os “Leões dos Visitantes”, permitindo ao público votar nos melhores pavilhões e artistas.


Em março, a Comissão Europeia condenou a decisão da Bienal de Veneza de autorizar a participação da Rússia, referindo que o financiamento da União Europeia fica em risco caso a decisão se mantenha, mas a organização ainda pode recorrer desta medida.


Embora a organização nunca tenha proibido a participação da Rússia, o país esteve ausente da Bienal de Arte nas edições de 2022 e 2024, no primeiro ano por desistência dos artistas e curadores e, em 2024, a Rússia cedeu o seu pavilhão à Bolívia.


Este ano, o pavilhão da Rússia acolhe o projeto “The tree is rooted in the sky” (“A árvore tem raízes no céu”, em tradução livre), comissariado por Anastasiia Karneeva, para uma exposição que reúne cerca de 40 artistas, entre eles Lizaveta Anshina, Ekaterina Antonenko, Antonio Buonuario e DJ Diaki.


Por seu turno, Israel terá o seu lugar no Arsenal, sob o título “Rose of Nothingness” (“Rosa do Nada”, em tradução livre), um pavilhão comissariado por Michael Gov, com curadoria de Avital Bar-Shay e Sorin Heller, tendo como artista do projeto Belu-Simion Fainaru.


O artista Alexandre Estrela, autor do projeto que representa Portugal na 61.ª Bienal de Arte de Veneza, manifestou-se, desde o dia da apresentação pública da sua obra, contra a participação da Rússia e de Israel no certame, expressando solidariedade “com os povos oprimidos”.


Estrela é um dos 183 signatários de uma carta aberta, disponível 'online', promovida pela Aliança Arte Não Genocídio (ANGA), divulgada em março, na qual participantes, entre artistas, curadores e trabalhadores da 61.ª Bienal de Arte, pedem a exclusão de Israel do certame.


Os signatários defendem que “a cumplicidade da Bienal de Veneza com a tentativa de destruição da vida palestiniana tem de acabar”.


A presença de artistas portugueses estende-se a eventos paralelos, nomeadamente a exposição “XIV Steps” ("XIV Passos”), do artista plástico Pedro Cabrita Reis, que foi inaugurada na segunda-feira, com um conjunto de 14 pinturas inéditas de grandes dimensões que revisitam a Via Sacra, numa “visão pessoal” da Paixão de Cristo, em diálogo com a história da pintura europeia. 


Também a artista Marita Setas Ferro está presente na exposição "Personal Structures - Confluences 2026", organizada pelo European Cultural Centre Italy, a decorrer de 09 de maio a 22 de novembro, em Veneza, com o projeto individual "The Echoes of Things from Nature" ("O eco de coisas da natureza", em tradução livre), sobre as paisagens marinhas e as formações orgânicas.


Foto: © Bienal de Veneza

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