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A galeria Cristina Guerra Contemporary Art inaugurou na passada terça-feira, 26 de Maio, DAWN, a nova exposição individual de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira. Trata-se da segunda mostra da dupla portuguesa no espaço lisboeta, onde apresentam quatro novas obras, esculturas ativadas por performers, numa investigação sobre a vida noturna queer e os seus bares como espaços de resistência e comunidade.
O título remete para um momento liminar: a passagem entre a noite e o dia, a memória de regressar a casa ao romper da manhã com os vestígios da noite ainda no corpo. É nessa fronteira, entre prazer e precariedade, anonimato e exposição, o privado e o público, que a exposição se instala.
A galeria transforma-se num percurso de bares escultóricos, objetos híbridos que operam simultaneamente como arquitetura, narrativa e palco. As estruturas não se limitam a representar bares: performatizam-nos. Ativadas por performers em funções de bartenders em momentos específicos, as esculturas oscilam entre instalação inerte e ambiente vivido. Cada obra propõe um vocabulário formal e simbólico distinto, examinando coletivamente o bar enquanto espaço capaz de produzir proximidade entre estranhos e criar comunidade.
Cry, Boy, Cry (2026) abre o percurso com uma densa acumulação de fragmentos visuais e textuais, superfícies grafitadas e frases retiradas da música pop, do discurso ativista e de confissões íntimas - tudo informado pela semiótica da vida noturna queer e pela melodia de Smalltown Boy, dos Bronski Beat. STUD (2026), em ferro, copos de vidro, pacotes de vinho e lâmpadas vermelhas, condensa os códigos do desejo e do consumo num ambiente minimalista e ritualístico. RISE (2026) apresenta garrafas em forma de cocktail Molotov iluminadas por LEDs programáveis, misturando prazer e volatilidade política. E SLAM (2026), o mais cenográfico, incorpora uma banheira, azulejos e torneiras fálicas em bronze que expelem água, evocando o rescaldo da noite e a sua dissolução em repetição e resíduo.
A exposição inclui ainda um cocktail homónimo - champanhe, sumo de maracujá, baunilha e bagaço -, disponível à entrada em frascos de aparência medicinal. Como escreve a curadora Hiuwai Chu na folha de sala, a mostra "pode ser experienciada para lá do visível; continua metabolicamente, tornando-se parte de quem escolhe beber a poção."
Para além da inauguração, está agendada uma visita guiada com os artistas, com repetição das performances, para 29 de Maio, das 17h30 às 19h00. DAWN estará patente até 4 de Julho de 2026.
Cristina Guerra Contemporary Art, Rua de Santo António à Estrela 33, Lisboa.
Foto: © Alípio Padilha
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