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Exposição de José Pedro Croft no MAC/CCB abre porta para 25 anos de trabalho do artista

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LUSA
28 de Abril de 2026

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Exposição de José Pedro Croft no MAC/CCB abre porta para 25 anos de trabalho do artista

Uma exposição através dos últimos 25 anos da poética visual da obra do artista José Pedro Croft, “que leva a experimentação ao limite”, é inaugurada na quarta-feira no Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB), em Lisboa.


Ao longo de cinco salas do museu foram instaladas 95 obras em gravura, desenho e escultura numa mostra intitulada “Reflexos, Enclaves, Desvios”, com desenho, gravura e escultura, que ficará patente até setembro, com curadoria de Luiz Camillo Osorio.


José Pedro Crof “é um artista que leva a experimentação ao limite, e revela uma forma muito livre e precisa de perceber o real”, sublinhou a diretora do MAC/CCB, Nuria Enguita, durante uma visita para jornalistas à exposição com a presença do autor e do curador.


Passados quase 25 anos desde a última grande exposição de José Pedro Croft no CCB, o regresso do artista, nascido no Porto, em 1957, que vive e trabalha em Lisboa, resulta de um processo iniciado há um ano para reunir 95 obras, uma delas de grandes dimensões, em vidro, espelhos e ferro, criada propositadamente para o espaço.


Estabelecendo o diálogo entre superfícies planas e formas tridimensionais, o artista plástico recorre a um jogo de espelhos que reflete corpos, amplia escalas e “projeta novas perspetivas na esfera das artes plásticas para desafiar a perceção, desorientar o olhar de quem as observa, suspendendo a velocidade do mundo”, apontou o curador durante a visita.


Questionado pela agência Lusa sobre o contexto do trabalho apresentado há mais de duas décadas e as obras mais recentes, José Pedro Croft disse que tanto nesse período como no atual, aconteceu um processo em que se “fechou uma porta e abriu-se outra”.


“Nessa primeira exposição eu tinha 45 anos, e correspondia a 25 anos de um trabalho mais disperso. Sou de uma geração dos anos 80. A arte conceptual é maravilhosa, mas estava feita, naquela altura. Havia alguma necessidade de voltar ao corpo, à escultura e à pintura”, recordou o artista que estudou pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e escultura com o mestre João Cutileiro (1937-2021).


A necessidade de experimentação surgiu da própria conjuntura daquele tempo: “Tínhamos as figuras maiores da arte conceptual, como a Ana Hatherly, a Helena Almeida ou o Ernesto de Sousa. O primeiro gesto é fundador, a seguir é uma cópia e isso não pode ser. Foi um trabalho de ir apalpando terreno, porque havia uma grande necessidade de experimentação”.


“Estudei pintura, arquitetura, explorei a pedra, vidro, barro, fui fazendo obra figurativa, mobiliário. As coisas iam saltando de umas coisas para as outras. Havia uma verdade lá dentro, mas era mais dispersa. Esta [exposição] corresponde a outro momento. Aquela porta permitiu ser fechada e fechou coisas na minha vida. Sempre que se fecha uma porta abre-se outra, e eu percebi o que era mais importante”, descreveu, sobre o trabalho realizado nas últimas duas décadas, que transita, sem hierarquias, entre escultura, desenho e gravura.


Na perspetiva do artista, a exposição que é inaugurada na quarta-feira, no MAC/CCB, “aconteceu dentro de um trabalho mais focado, de grande limpeza e depuração, porque passou por vários filtros, que agora quase que aparecem como naturais, mas há muito trabalho por trás”.


Segundo o curador Luiz Camillo Osorio, "o trabalho minucioso, o rigor plástico e o jogo serial de Croft ao longo das últimas décadas evidencia uma apropriação constante de gestos e elementos plásticos reposicionados por um mundo em rápida transformação com o qual mantém uma relação de tensão e conflito".


José Pedro Croft, que representou Portugal na Bienal de Veneza 2017, está presente em coleções portuguesas e estrangeiras como o Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação EDP, a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, o Museu de Serralves, a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, em Portugal, o Museu de Arte Contemporânea Helga de Alvear, a Fundação la Caixa e o Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Espanha, o Sammlung Albertina, na Áustria, o Centro Pompidou, em França, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e a Pinacoteca de São Paulo, no Brasil, entre outros.


No ano passado, José Pedo Croft realizou uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, com o mesmo título, onde apresentou 170 obras em gravura, desenho, escultura e instalações, “desenhada para um público menos conhecedor do trabalho do artista”, disse o curador.


Foto: © Daniel Malhão

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