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FIJO 2026: jazz, liberdade e diálogo entre gerações

Por

 

Pedro Mendes
5 de Fevereiro de 2026

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FIJO 2026: jazz, liberdade e diálogo entre gerações

Depois do sucesso da primeira edição, o Festival Internacional de Jazz de Oeiras (FIJO) regressa em fevereiro de 2026 com uma programação que alia nomes consagrados a músicos emergentes, nacionais e internacionais, e expande a sua aposta pedagógica e familiar. Conversámos com Sérgio Machado Letria, curador do festival, sobre os desafios de pensar uma segunda edição, a importância da equidade, do cruzamento de gerações e da criação de novos públicos, e sobre como o FIJO se afirma como um espaço de liberdade e partilha através do jazz. O evento acontece de 18 a 28 de fevereiro de 2026, no Auditório Municipal Ruy de Carvalho em Carnaxide.


Depois de uma primeira edição com salas esgotadas, o que sentiste que era essencial manter e o que decidiste arriscar mudar nesta segunda edição do FIJO?

Depois da primeira edição do FIJO, que se pautou pela grande qualidade musical e por salas esgotadas em quase todos os concertos, a responsabilidade aumentou e foi com agrado que assistimos à aposta da Câmara Municipal de Oeiras em aumentar o número de dias do Festival, permitindo ter, para além de mais concertos, outras linhas de programação, como a pedagógica e a da criação de públicos, que tentamos ter sempre presentes nas nossas produções.


Falas do cruzamento de gerações, da equidade e da internacionalização com músicos portugueses ao leme. Como é que esses princípios se traduzem, na prática, nas escolhas artísticas desta edição?

Os três princípios que enumeras nestas duas questões são a marca distintiva destas duas edições do FIJO e são princípios que a Clave na Mão segue desde o seu início. Damos três exemplos que o confirmam: o quarteto que junta a Sara Dowling, Clara Lacerda, Romeu Tristão e Jorge Rossy, com mulheres e homens em pé de igualdade, o Trio do João Barradas com o David Binney, com um convidado internacional a tocar com um trio de músicos portugueses, ou, por fim, o diálogo intergeracional, no quarteto que tocará a Música do António Pinho Vargas, em que temos o Mário Barreiros, que ainda tocou com o António Pinho Vargas, ao lado de músicos de outras gerações, como o Hugo Carvalhais, o José Soares ou o Miguel Meirinhos. A Cultura deve ser um espaço de igualdade, de diálogo, de emancipação. É nisso que acreditamos, é isso que tentamos trazer para as nossas produções.


O FIJO aposta novamente em formações internacionais ancoradas em músicos portugueses. Que tipo de impacto esperas que este modelo tenha na circulação e no reconhecimento dos músicos nacionais?

Felizmente, o jazz em Portugal conta com extraordinários intérpretes, e conta também com cada vez mais músicos internacionais a optarem por viver cá ou a visitarem o nosso país, entrando nos circuitos de clubes e bares onde se pode ouvir e ver jazz ao vivo. A nossa opção por formações internacionais encabeçadas por músicos nacionais não tem nada de nacionalista, antes pelo contrário, é uma forma de contribuir para que esses encontros se façam, para que o jazz, que é uma música de diálogo, de liberdade, tenha mais um espaço onde esse encontro se faça, onde essa liberdade, essa premissa fundamental para a cultura e para a vida, aconteça.


A presença de nomes como Jorge Rossy, David Binney ou Andy Sheppard convive com projetos emergentes e criações originais. Como se constrói o equilíbrio entre nomes consagrados e propostas menos óbvias?

Vamos estando atentos ao que se vai fazendo por aí, dando muita atenção ao que de novo vai sendo criado sem perder o norte ao que músicos mais consagrados também têm para apresentar. Se em alguns locais o princípio, totalmente legítimo, pode ser o de criar um programa exclusivamente com nomes estabelecidos, a linha que seguimos é a de fazer conviver nomes emergentes com outros menos conhecidos e com criações originais, como forma de dar espaço a toda a gente e de confirmar que é assim que novas gerações se vão também formando, tocando ao vivo, subindo aos palcos.


A introdução da vertente pedagógica, com a masterclass de David Binney, marca um alargamento do festival. O FIJO quer afirmar-se também como um espaço de formação e transmissão de conhecimento?

Sim, esse é um dos objectivos que seguimos nas nossas produções desde que nascemos em 2019, o de criar espaços de contacto entre os músicos convidados e outros instrumentistas. O jazz, em grande medida, faz-se tocando, vendo tocar, ouvindo, esse é um ponto fundamental, a par do ensino formal, para tantos e tantos músicos de jazz.


O concerto comentado para famílias, A Idade do Jazz, aponta para uma estratégia de criação de novos públicos. Que papel devem os festivais de jazz ter na formação cultural das próximas gerações?

Mais do que apenas os festivais, consideramos que a cultura deve ter uma preocupação permanente com a criação de novos públicos, ainda mais quando vemos determinadas áreas culturais a ser atacadas por vagas de obscurantismo e por obscurantistas. O concerto A Idade do Jazz cumpre esse objetivo, de levar os mais novos a ver e ouvir jazz ao vivo, ao lado dos seus pais. Nunca nos esqueceremos de uma criança que, à porta d’A Voz do Operário, quando ali fizemos a primeira edição do Festival O Jazz tem Voz, dizia que ia levar os pais ao jazz. Criar públicos novos é alimentar o espaço da Cultura.


Em As Folhas Novas Mudam de Cor, optas por falar em “encomenda” e não em “homenagem”. O que te interessa preservar, e o que te interessa transformar, na música de António Pinho Vargas?

Este concerto resulta de um desejo antigo, nascido do facto de sermos ambos, eu e a Márcia Lessa, admiradores da música do António Pinho Vargas: o de um dia podermos ouvi-lo ao vivo numa produção nossa. Para grande alegria, o António aceitou e tocará alguns temas a solo neste concerto. Mas pensámos também que seria muito interessante outros músicos pegarem na sua música e reinterpretá-la. Assim se formou este quarteto, que cumpre um outro objectivo, o do diálogo intergeracional, de que falamos numa resposta anterior, porque temos músicos de diferentes gerações, juntos, em palco, a tocar a música do António Pinho Vargas. E depois, nós que os ouviremos, logo veremos se as folhas novas mudam ou não de cor.


Andy Sheppard vive em Portugal há uma década, mas mantém uma carreira fortemente internacional. O FIJO pode ser lido também como um retrato do jazz feito a partir de Portugal, mais do que apenas em Portugal?

Diríamos que sim, frisando novamente que não há aqui qualquer patriotismo bacoco, e sim a tentativa de mostrar a riqueza do diálogo, e de que forma é que um músico internacional que escolha Portugal para viver pode ou não, em total liberdade, integrar alguns elementos que resultem do facto de aqui viver. No caso do Andy Sheppard não podemos deixar de referir a alegria de poder tê-lo no FIJO, a apresentar em primeira mão o primeiro trabalho do seu novo trio, editado com o selo da ECM.


O concerto de encerramento com o sexteto Mosaïc cruza jazz e música mediterrânica de forma muito livre. Este diálogo entre geografias e tradições é uma imagem-síntese do festival que idealizaste?

Sim, é de cruzamentos, de encontros, de liberdade e igualdade que temos falado nesta entrevista, e o concerto de encerramento do FIJO é uma das melhores provas disso tudo. Seis músicos em palco, de diferentes geografias, fazendo música em conjunto, incorporando tradições, procurando novas modernidades.


O FIJO passa de quatro para oito dias. Que responsabilidades acrescidas traz esse crescimento para a curadoria e para a relação com o território de Oeiras?

O aumento do número de dias significa uma aposta forte do Município de Oeiras no Festival e uma demonstração de confiança, que agradecemos, no nosso trabalho. Uma decisão que aumenta a nossa responsabilidade em fazer um festival que estabilize o seu modelo de programação, que ganhe o seu espaço e que faça de Oeiras um ponto central no panorama dos festivais de jazz em Portugal. Para isso trabalhamos.  


Foto: António Pinho Vargas

 

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