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"O mundo é tudo! Filósofos e outras máquinas", a mais abrangente retrospetiva dedicada à obra de António Cerveira Pinto, inaugura a 23 de julho, às 19h00, no Fórum da Maia. A exposição reúne cerca de uma centena de obras produzidas entre 1979 e 2026, cruzando pintura, linguagem, filosofia e inteligência artificial, e fica patente até 13 de setembro de 2026.
Promovida pela Câmara Municipal da Maia, a mostra tem curadoria do próprio artista e texto de apresentação de Bernardo Pinto de Almeida. Em vez de uma leitura cronológica, organiza-se em núcleos temáticos que acompanham uma investigação persistente sobre a relação entre imagem, pensamento e máquinas. Apesar de revisitar quase cinco décadas de trabalho, a retrospetiva não se apresenta como um balanço: os núcleos finais apontam para projetos ainda em desenvolvimento, transformando-a num laboratório de ideias voltado para o futuro.
O percurso abre com Regresso da pintura?, onde a pintura reaparece como espaço de experimentação crítica da cor e da forma, seguindo-se séries como Frases, Qualia, Combate entre as metades esquerda e direita do meu cérebro e Rasura, que abordam questões ligadas à perceção, à linguagem, à memória e à construção do sentido. Surgem ainda projetos dedicados à democracia, à televisão, às cidades aumentadas, à arquitetura e à inteligência artificial. A exposição culmina com dois projetos inéditos: o Gerador de Arte e Inteligência Artificial (GAIA), dedicado a projetos colaborativos entre arte, ciência e tecnologia, e o Mosteiro das Proposições, um lugar imaginado para cultivar o tempo lento das perguntas.
Desde finais da década de 70, Cerveira Pinto tem desenvolvido uma prática interdisciplinar que cruza arte conceptual, filosofia, crítica de arte e investigação tecnológica, interrogando as relações entre linguagem, conhecimento, máquinas e representação muito antes de a inteligência artificial ocupar o centro do debate público. Como escreve Bernardo Pinto de Almeida, o seu trabalho "definiu-se e redefiniu-se vezes sem conta, ao longo dos anos", situando-se continuamente "entre o propósito conceptual e o do artista de objectos".
O projeto estende-se ao audiovisual e aos meios digitais. No dia da inauguração, às 22h00, o Canal180 estreia Está tudo bem - Conversa entre António Cerveira Pinto e Leonel Moura sobre Arte e Máquinas que Aprendem (2026), realizado pelo artista, com imagem, som e montagem de Igor Sterpin. Durante o período expositivo, Cerveira Pinto publicará ainda a série de reels Um minuto por dia na conta de Instagram @omundoetudo.
Entre julho e setembro decorre um programa público que inclui visitas guiadas orientadas por António Cerveira Pinto (23 de julho), Bernardo Pinto de Almeida (26 de julho) e Rodrigo Magalhães (6 de setembro); o workshop AAA: Argila >> Algoritmo >> Arte, Uma genealogia da vanguarda feminina (5 de setembro), dirigido prioritariamente a mulheres interessadas em arte, tecnologia, escrita, investigação, educação ou cultura, com inscrição gratuita e máximo de 15 participantes; o colóquio Artistas e máquinas às voltas com a infinitude, com Bernardo Pinto de Almeida e Leonel Moura (12 de setembro, 17h); e o lançamento do catálogo, que assinala a finissage da exposição (12 de setembro, 18h).
Foto: © António Cerveira Pinto Filósofo branco Convento S. Francisco, 1991
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