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A Tate Modern, em Londres, apresenta a partir de 25 de junho de 2026 a exposição Frida: The Making of an Icon, uma das mais ambiciosas mostras alguma vez dedicadas à artista mexicana Frida Kahlo (1907–1954). Patente até 3 de janeiro de 2027, a exposição propõe uma leitura inédita sobre a forma como Kahlo passou de pintora relativamente desconhecida a figura central da cultura visual global e referência incontornável para várias gerações de artistas.
Desenvolvida em colaboração com o Museum of Fine Arts, Houston, esta será a primeira grande exposição a analisar de forma aprofundada a influência de Frida Kahlo através do diálogo entre a sua obra e a de artistas modernos e contemporâneos que a reinterpretaram, reclamaram e reinventaram ao longo do tempo. No Reino Unido, é também a primeira oportunidade, em mais de duas décadas, para ver reunido um conjunto alargado de obras da artista, incluindo autorretratos raramente apresentados ao público, fotografias e objectos pessoais.
A exposição abre com uma reflexão sobre a construção da identidade de Kahlo, tanto na pintura como no seu estilo pessoal. Através de mais de 30 obras, os visitantes poderão acompanhar a forma como a artista articulou os seus múltiplos “eus” — do íntimo ao político, do corpo à espiritualidade. Autorretratos icónicos como Self-Portrait (With Velvet Dress) (1926) ou Self-Portrait with Loose Hair (1938) evidenciam a afirmação da herança mexicana, uma autoimagem queer, ideais feministas e a experiência da deficiência. Estas obras são apresentadas em diálogo com artistas do chamado Renascimento Mexicano, como Diego Rivera e María Izquierdo, sublinhando os cruzamentos artísticos e intelectuais que marcaram a sua prática.
O núcleo central da exposição debruça-se sobre as relações de Kahlo com o surrealismo. Embora a artista rejeitasse esse rótulo, a afinidade da sua obra com o movimento levou André Breton a descrevê-la como uma “surrealista criada por si própria”. Estarão em destaque obras como The Frame (1938), adquirida pela coleção nacional francesa, bem como Memory (The Heart) (1937) ou Girl with a Death Mask (1938), apresentadas ao lado de trabalhos de artistas latino-americanos como Kati Horna e Leonor Fini, explorando temas comuns como a morte, o sonho e o imaginário simbólico.
A mostra aborda ainda o impacto tardio de Kahlo nos Estados Unidos, em particular a partir dos anos 1960, quando o movimento Chicana/o a adoptou como símbolo de resistência cultural e afirmação identitária. Obras como My Dress Hangs There (1933–38) ganham nova leitura neste contexto, evidenciando a ambivalência da artista em relação aos Estados Unidos e a sua ressonância junto das comunidades migrantes mexicanas. Este legado prolonga-se nas décadas seguintes, influenciando artistas no México dos anos 1980 e 1990 que questionaram nacionalismos, estruturas patriarcais e normas de género.
O percurso culmina com a consagração de Frida Kahlo como ícone feminista e referência para artistas mulheres desde os anos 1970 até à actualidade. Em diálogo com nomes como Judy Chicago, Ana Mendieta ou Kiki Smith, a exposição evidencia a força da sua auto-representação e a forma como o seu trabalho continua a inspirar debates sobre identidade, corpo, violência e natureza. Artistas contemporâneos como Yasumasa Morimura ou Martine Gutierrez surgem também como exemplos da apropriação crítica da sua imagem.
O último núcleo de Frida: The Making of an Icon analisa a transformação de Kahlo numa marca global. Mais de 200 objectos de cultura popular, de T-shirts a perfumes, passando por bonecas e garrafas de tequila, compõem um espaço dedicado à chamada “Fridamania”, questionando os limites entre arte, mercado e mito. A exposição relembra ainda o impacto decisivo da biografia de Hayden Herrera, publicada em 1983, na consolidação da imagem pública de Kahlo.
Organizada pelo Museum of Fine Arts, Houston, em colaboração com a Tate Modern, e com curadoria de Tobias Ostrander e Beatriz García-Velasco, Frida: The Making of an Icon afirma-se como um marco expositivo que revisita criticamente o legado de uma das figuras mais influentes da história da arte do século XX.
Foto: Maria Izquierdo, Dream and Premonition 1947. Rocio and Boris Hirmas Collection
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