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O Ministério da Cultura, Juventude e Desporto vai fazer um levantamento de espaços existentes no país que possam ser adaptados para exibição cinematográfica e quer capacitar mais pessoas para programarem cinema, anunciou a ministra Margarida Balseiro Lopes.
Numa sessão pública, em Lisboa, “de auscultação sobre a exibição cinematográfica em Portugal”, Margarida Balseiro Lopes disse que quer fazer um mapeamento de espaços existentes, para reforçar a rede de salas de cinema, sobretudo nos concelhos “em que a oferta é mais escassa”.
“Queremos valorizar os equipamentos existentes e que não fique na dinâmica dos grandes centros urbanos”, disse.
Na mesma sessão, o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, disse que 73 dos 103 auditórios da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) têm equipamento atualizado para exibição de cinema, obtido no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência, e 81 têm programação de cinema.
Também 22 equipamentos credenciados da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea “tiveram apoio para equipamentos de projeção digital de cinema […] sempre com programadores e mediadores”.
Margarida Balseiro Lopes sublinhou a importância da figura do programador de cinema, anunciando, para o terceiro trimestre deste ano, um programa de capacitação de programadores, “com foco especial junto das equipas dos técnicos municipais”.
Esta formação, cuja primeira fase de candidaturas será aberta até o final do segundo trimestre, até junho, vai ser assegurada pelo Instituto do Cinema e Audiovisual, pela Cinemateca, pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais e em estreita colaboração com a Direção-Geral das Artes, “e privilegiando os espaços que integram” a RTCP, disse a ministra.
O Ministério da Cultura, Juventude e Desporto quer ainda vai promover, até ao final do segundo trimestre, um estudo sobre a relação dos portugueses com o cinema, e reforçar os meios de ação do Plano Nacional de Cinema, embora não tenha especificado quais.
O panorama da exibição de cinema comercial em ‘multiplex’, dentro de centros comerciais, tem em 2026 uma reconfiguração diferente, pelo encerramento das salas Cineplace, alvo de um processo de insolvência, e também algumas da NOS Lusomundo Cinemas, que é líder no mercado.
Há ainda o caso do Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, o maior complexo de cinema do país, explorado pela exibidora UCI, que foi autorizado a desafetar a atividade cinematográfica em nove das 20 salas.
De acordo com os dados mais recentes do ICA, a exibição de cinema em janeiro contava com 450 salas, o que significou menos 112 salas face a 2025.
Com o encerramento de salas ocorrido nos últimos meses, há cinco capitais de distrito sem exibição comercial regular de cinema: Beja, Bragança, Guarda, Portalegre e Viana do Castelo.
Em 2025, as salas de cinema registaram cerca de 10,8 milhões de espectadores, o que representa o valor mais baixo de audiência desde 2004, excetuando-se os anos da pandemia da covid-19 (2020-2022).
Em novembro passado, na sequência de encerramento de salas e pedidos de desafetação de atividade de cinema, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto anunciou no parlamento a criação de um grupo de trabalho.
De acordo com a ministra da Cultura, esse grupo de trabalho, do qual fazem parte o ICA e a Inspeção-Geral das Atividades Culturais, terá um relatório de conclusões em março.
Foto: © Geoffrey Moffett | Unsplash
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