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A história dos Buraka Som Sistema, que regressam este mês aos palcos, vai ser contada num filme que terá como base o livro “Também os brancos sabem dançar”, de Kalaf Epalanga, um dos elementos do grupo, foi hoje anunciado.
De acordo com a produtora Wonder Maria Filmes, num comunicado hoje divulgado, a longa-metragem começa a ser produzida em 2028.
“O objetivo deste filme é retratarmos o nascimento dos Buraka Som Sistema nos anos 2000 e o seu contexto numa cidade imigrante, negra, repleta de multiculturalidade e em plena mutação, onde a cultura urbana fervilhava e os estilos musicais da periferia ganhavam projecção, mas onde ainda persistia um fosso invisível de segregação e desigualdade social”, referiu a argumentista e realizadora Fernanda Polacow, da Wonder Maria Filmes, citada no comunicado.
O filme tem como mote o livro “Também os Brancos Sabem Dançar”, de Kalaf Epalanga, fundador dos Buraka Som Sistema, “cujos direitos acabam de ser adquiridos pela produtora Wonder Maria Filmes”.
A adaptação cinematográfica do livro estará a cargo do próprio Kalaf e de Fernanda Polacow, e o filme conta com o apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).
“Também os Brancos Sabem Dançar”, o primeiro romance de Kalaf Epalanga, editado em 2017, é um livro que fala de música, mas também de identidade e migrações, misturando ficção e realidade.
Algumas das histórias no livro baseiam-se em experiências que Kalaf viveu como músico e imigrante, que trocou Angola por Lisboa, e, depois esta por Berlim.
“Também os Brancos Sabem Dançar” tem três narradores: o próprio Kalaf Epalanga, uma professora de dança e um polícia nórdico, este último “totalmente o oposto” do autor, contou à Lusa em 2017.
As histórias que cada um conta misturam personagens e acontecimentos reais e outros ficcionados. Se é verdade que Kalaf já ficou retido numa fronteira, é fantasia que se tenha casado com uma professora de dança por conveniência.
Kalaf Epalanga dirigia-se de autocarro de Gotemburgo, na Suécia, para Oslo, na Noruega, para atuar num festival com os Buraka Som Sistema, quando foi detido para interrogatório por não ter passaporte válido.
“Na esquadra, questiona-se sobre como poderá explicar aos polícias o que o move: quem são os Buraka, como nasceu o Kuduro e a Kizomba ou falar de Lisboa que é também a sua ‘casa’”, recorda a produtora no comunicado hoje divulgado.
No romance, Kalaf partilha também “memórias pessoais, referências musicais e cruza territórios num ‘corredor’ que liga diferentes continentes”.
Os Buraka Som Sistema, uma das mais internacionais bandas portuguesas, anunciaram, no verão de 2015, que entrariam em 2016 numa pausa por tempo indeterminado, coincidindo com uma década de existência dedicada à música, de cariz mais eletrónico.
O grupo, que tornou global o kuduro, um dos ritmos de guetos e subúrbios apropriados para as pistas de dança, deu mais de 800 concertos, editou três álbuns e um EP.
Em julho, regressam aos palcos, com um concerto no festival NOS Alive, em Oeiras, no dia 11, já com lotação esgotada.
Depois, o grupo tem datas marcadas na Bélgica, dia 17 de julho no Duor Festival, na Dinamarca, dia 01 de agosto no festival O Days, no Reino Unido, 07 de agosto no festival South London Miniteca, nos Países Baixos, 23 de agosto no festival Lowlands, e Brasil, 12 de setembro no Coala Festival.
Já no sábado, 04 de julho, a Casa Capitão, em Lisboa, transforma-se na Casa Buraka, no âmbito das celebrações dos 20 anos dos Buraka Som Sistema e da editora Enchufada, cuja primeira edição foi o EP de estreia do grupo, “From Buraka to the World”, em 2006.
A programação inclui atuações de DJ, produtores, uma loja temporária com ‘merchandising’ e álbuns, sessão de autógrafos, conversas e a exibição do documentário oficial da banda, intitulado “Off the Beaten Track”.
Foto: © Arruada
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