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O Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), que num ano de atividade recebeu 80 mil visitantes, celebra o aniversário no fim de semana com concertos, um programa para famílias e entrada gratuita às exposições permanentes renovadas.
Inaugurado em março de 2025, o projeto reúne o MACAM e um hotel de cinco estrelas, ocupando o histórico Palácio Condes da Ribeira Grande, situado entre Alcântara e Belém, em Lisboa, alvo de obras de requalificação e remodelação ao longo de mais de seis anos.
"Estamos contentes com estes 80 mil visitantes", disse o empresário e colecionador, questionado pela agência Lusa sobre o balanço de um ano de abertura, durante uma visita de imprensa às galerias das exposições permanentes, hoje realizada, a propósito da celebração que decorrerá no sábado e no domingo com horário alargado, das 10:00 às 20:00.
Armando Martins disse ainda que o projeto "superou a ideia inicial" idealizada em meados dos anos 1990 para criar uma galeria ou um museu em Lisboa, onde pudesse expor a sua coleção privada de cerca de 600 obras, algumas delas que não via há cerca de 30 anos.
"A ideia era mesmo expor as obras ao público", sublinhou o colecionador, que acabou por criar "um museu que tem um hotel para o sustentar" no Palácio Condes da Ribeira Grande, com duas galerias de exposição permanente e duas temporárias na ala do edifício contemporâneo construído para o projeto.
Para assinalar um ano de atividade, o MACAM vai ter entrada gratuita no fim de semana de 21 e 22 de março, na exposição permanente, com algumas novas obras, entre elas aquisições recentes, a reunificação dos painéis "Alfaiataria Cunha" (1913) de Almada Negreiros - dois da própria coleção e os dois cedidos pela Fundação Calouste Gulbenkian -, visitas orientadas, recitais de poesia, concertos-performance e atividades para crianças e famílias.
Os quatro painéis "Alfaiataria Cunha", à época, uma das casas comerciais mais elegantes da Baixa de Lisboa, pioneira na associação entre arte e modernidade urbana, "já não estavam juntos há mais de vinte anos", assinalou Adelaide Ginga, diretora do museu e curadora.
Separados entre duas instituições - a Coleção Armando Martins e o Centro de Arte Moderna da Fundação calouste Gulbenkian - os quatro painéis centenários de grandes dimensões foram apresentados juntos anteriormente duas vezes, em 1984 e 2014, e voltam a juntar-se agora para evocar a primeira encomenda ao artista Almada Negreiros (1873-1970), e uma das suas primeiras experiências em óleo sobre tela, recordou a curadora.
Os quatro painéis exibem a evolução da moda através de casais pintados quase em tamanho real, desde as vestes mais clássicas às modernas, e onde “a mulher surge em posição de igualdade com a figura masculina, refletindo as transformações sociais em curso no início do século XX”.
Na renovação da exposição permanente para assinalar um ano de vida, foram também incluídas aquisições recentes para a coleção do museu, nomeadamente a pintura “O Álbum” (1885), de António Carvalho da Silva Porto (1850–1893), conhecido apenas como Silva Porto, um dos mais influentes pintores portugueses do século XIX e o principal impulsionador do Naturalismo em Portugal.
“A exposição é permanente, mas não é estática e será pontualmente renovada com outras obras”, comentou a diretora do museu, indicando também a inclusão de aquisições como “Relevo Vermelho” (1968), de José Escada (1934-1980), e “As Afeições de Zaratustra III” (1973), de Mário Cesariny.
Obras de Cruzeiro Seixas, Raul Perez, Júlio Resende, António Palolo, Eduardo Luiz, na Galeria 1, e Fernão Cruz, Rui Sanches e João Penalva, na Galeria II, também foram incluídas na renovação da exposição permanente.
No fim de semana, são ainda inauguradas duas instalações de artistas portugueses, nomeadamente “Between Heaven and Earth”, obra de José Drummond com elementos em néon e som, inspirada na filosofia I Ching, uma das encomendas do museu para o túnel que liga a zona clássica e contemporânea do edifício, e também em néon luminoso, de João Motta Guedes, na entrada do museu.
Intitulada "This sign is an act of love and cannot be bought or sold; it can only be given” (“Este cartaz é um ato de amor e não pode ser comprado nem vendido; só pode ser dado”, em tradução livre”), a peça foi doada pelo artista ao MACAM com o compromisso de a fazer circular por outras instituições museológicas ao longo dos anos.
Na coleção Armando Martins - reunida ao longo de mais de 50 anos - estão igualmente representados Paula Rego, Maria Helena Vieira da Silva, José Malhoa, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Pedro Cabrita Reis, Julião Sarmento, Rui Chafes, José Pedro Croft, Lourdes Castro, Marina Abramovic, Olafur Eliasson, Isa Genzken, Liam Gillick e Dan Graham, entre outros.
O hotel de cinco estrelas, com restaurante e cafetaria, possui 64 quartos com obras de arte de vários artistas no interior, e ainda seis estúdios com obras do artista José de Guimarães.
Foto: © ©ernando Guerra I FG+SG. Cortesia de MACAM - Museu de Arte Contemporanea Armando Martins.
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