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Morreu o encenador norte-americano Bob Wilson

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COFFEEPASTE
31 de Julho de 2025

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Morreu o encenador norte-americano Bob Wilson

O encenador norte-americano Bob Wilson, nome maior do teatro contemporâneo, morreu esta terça-feira, aos 83 anos, em Water Mill, no Estado de Nova Iorque, anunciou a Robert Wilson Arts Foundation. A fundação, que preserva a sua obra, comunicou nas redes sociais que o artista “morreu pacificamente”.

“Estamos devastados por anunciar a morte de Robert M. Wilson, artista, diretor de teatro e ópera, arquiteto, cenógrafo e iluminador, artista visual”, lê-se na publicação oficial.

Figura incontornável da criação cénica das últimas seis décadas, Wilson destacou-se por obras transdisciplinares que fundem teatro, ópera, artes visuais e instalação. Ganhou projeção internacional com Einstein on the Beach (1976), uma ópera criada em colaboração com Philip Glass que revolucionou os paradigmas da representação: sem enredo, sem actos, sem árias – “apenas visões”, como recorda hoje o festival Salone del Mobile.Milano, onde apresentou uma das suas últimas criações, Mother, uma leitura da Pietà de Miguel Ângelo com música de Arvo Pärt.

“Robert Wilson foi uma das figuras mais radicais e poéticas do teatro contemporâneo”, escreve o festival italiano. Para Wilson, “o palco era um espaço abstrato, mental, construído”, inspirado tanto em Giorgio Strehler como em Luchino Visconti. “Detesto o naturalismo”, disse certa vez. “Estar em palco é algo artificial. E quando se tenta agir naturalmente, parece artificial. Porém, quando se aceita o palco como algo artificial, torna-se mais natural.”

Nascido em Waco, Texas, a 4 de outubro de 1941, Robert Wilson formou-se em administração antes de enveredar pela arquitetura, que concluiu no Pratt Institute, em Nova Iorque. Trabalhou com o arquiteto Philip Johnson e fundou a Byrd Hoffman School of Byrds, uma comunidade artística onde começaram a ganhar forma as suas primeiras criações. Em 2006, concluiu o Watermill Center, um centro interdisciplinar para jovens artistas em Long Island.

Wilson trabalhou com nomes como Susan Sontag, Marina Abramovic, Willem Dafoe, Tom Waits e Lucinda Childs, assinando mais de 200 produções, incluindo Lulu, Threepenny Opera, Passion of St. John, Quartett, Shakespeare's Sonnets, The Life and Death of Marina Abramovic, entre muitas outras.

Em Portugal, a sua presença foi regular desde os anos 90. A estreia deu-se com um workshop no Teatro de São Carlos, seguindo-se Dr. Faustus Lights the Lights, a partir de Gertrude Stein, nos encontros ACARTE da Gulbenkian, em 1993. Em 1994, na Lisboa Capital Europeia da Cultura, apresentou Alice, de Tom Waits, sobre Lewis Carroll, que originou também uma instalação na Galeria Luís Serpa.

Em 1998, criou O Corvo Branco, com música de Philip Glass e libreto da escritora portuguesa Luísa Costa Gomes, para o encerramento da Expo’98. A obra passou também pelo Teatro Real de Madrid e o Lincoln Center, em Nova Iorque. Em 1999, apresentou The Days Before no Porto e, mais tarde, 4 santos em 3 actos, inspirado em Inácio de Loyola e Teresa de Ávila.

O Festival de Almada recebeu várias das suas criações, como Mary Said What She Said, com Isabelle Huppert, em 2019, I Was Sitting on My Patio em 2023, e Relative Calm, recriada em França após 40 anos, durante a pandemia.

A mais recente passagem por Lisboa ocorreu em março deste ano, com Pessoa – Since I’ve been me, no Teatro São Luiz. A peça, estreada em 2024 em Florença, evocava os diferentes universos heteronímicos de Fernando Pessoa, como Alexander Search, Álvaro de Campos ou Bernardo Soares.

O documentário da RTP The Robert Wilson Experience recorda as suas primeiras visitas a Portugal, nos anos 60, mas foi nas décadas seguintes que a relação se intensificou, marcando várias gerações de artistas e espectadores.

“Luz, espaço, gestos, objetos, som eram ferramentas de uma linguagem visual unificada”, escreve ainda o Salone del Mobile.Milano, que cita Louis Aragon sobre uma das suas encenações em 1971: “Nunca vi nada mais belo no mundo desde que nasci. [...] A realidade mistura-se com o sonho, tudo o que é inexplicável na vida... É o que nós, outros, que gerámos o surrealismo, sonhámos que podia vir depois de nós.”

Notícia adaptada. Fonte: LUSA

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