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O Pavilhão de Portugal na Bienal de Arte de Veneza, representado pelo projeto artístico “RedSkyFalls”, do artista Alexandre Estrela, recebeu 2.600 visitantes no primeiro mês após abertura, revelou hoje à agência Lusa a Direção-Geral das Artes (DGArtes).
A 61.ª Bienal de Arte de Veneza abriu ao público em 09 de maio com 100 pavilhões nacionais, uma exposição geral com 111 participantes, e uma polémica que levou à demissão do júri internacional para o palmarés que será decidido pelos visitantes, anunciou na altura a organização.
Sob o tema “In Minor Keys” e com conceito da curadora-geral Koyo Kouoh (1967-2025), a Bienal de Arte de Veneza terá ainda 31 eventos paralelos em vários locais de Veneza até 22 de novembro, data em que serão atribuídos os prémios do certame mundial dedicado à arte contemporânea, ao contrário do habitual anúncio da cerimónia de abertura.
A forma de atribuição dos prémios foi contestada por um grupo de 67 artistas e 39 pavilhões nacionais, incluindo o de Portugal, que pediram para ser retirados da lista, dando seguimento ao protesto contra a participação da Israel e da Rússia na bienal, e em solidariedade com o júri que se demitiu em abril, tendo comunicado esta sua decisão publicamente nas redes sociais.
Contactada pela Lusa sobre a posição da equipa do projeto da representação portuguesa de integrar este novo protesto, a DGArtes respondeu com uma declaração do artista e da equipa curatorial: "No seguimento das ações conjuntas de demonstração de apoio à Ucrânia e à Palestina, decidimos retirarmo-nos do Prémio do Público da Bienal de Veneza deste ano”.
“Esta decisão nasce de um compromisso coletivo com a defesa da paz, com a resistência contra a ocupação e contra todas as formas de violência — uma responsabilidade que consideramos fundamental neste momento”, justificam.
Na declaração enviada à Lusa por ‘e-mail’, a equipa de “RedSkyFalls”, composta também pelos curadores Ana Baliza e Ricardo Nicolau, prossegue com um agradecimento ao público em geral: “Gostaríamos de agradecer aos visitantes que nos premeiam com a atenção e o tempo que dedicaram, ou irão ainda dedicar, à exposição”.
A Bienal de Veneza informou que manteve a lista completa criada para os votos dos visitantes, para "garantir a sua liberdade de expressão", mas os que forem atribuídos a artistas/pavilhões que demonstraram intenção de se retirar do Prémio do Público não serão contabilizados.
Além de Portugal, que está representado pelo projeto artístico “RedSkyFalls”, do artista Alexandre Estrela, comissariado pela Direção-Geral das Artes, instalado no Palácio Fondaco Marcello, do universo lusófono participam também as representações nacionais do Brasil e de Timor-Leste.
A crise na edição da Bienal de Arte de Veneza teve origem a 23 de abril, quando o júri internacional anunciou um boicote inédito: excluir da atribuição de prémios países cujos líderes fossem acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional.
Esta decisão do júri presidido pela curadora e gestora cultural brasileira Solange Oliveira Farkas gerou polémica imediata no meio cultural ao atingir diretamente as representações de Israel e da Rússia.
Por seu lado, a organização sublinhou que a bienal “deve permanecer um espaço aberto à participação internacional” e distanciou-se da decisão do júri, considerada autónoma, gerando um impasse que se agravou com pressões políticas e divergências internas, incluindo posições críticas por parte do governo italiano.
Perante este conflito institucional e falta de consenso, os cinco membros do júri demitiram-se em bloco a 30 de abril, nove dias antes da inauguração. O painel era ainda composto por Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi.
Como consequência, a entrega do Leão de Ouro foi adiada para o encerramento da exposição, e, na ausência de júri, a organização introduziu um novo modelo de participação, os “Leões dos Visitantes”, permitindo ao público votar nos melhores pavilhões e artistas.
Embora a organização nunca tenha proibido a participação da Rússia, o país esteve ausente da Bienal de Arte nas edições de 2022 e 2024, no primeiro ano por desistência dos artistas e curadores e, em 2024, a Rússia cedeu o seu pavilhão à Bolívia.
Este ano, o pavilhão da Rússia acolhe o projeto “The tree is rooted in the sky” (“A árvore tem raízes no céu”, em tradução livre), comissariado por Anastasiia Karneeva, para uma exposição que reúne cerca de 40 artistas, entre eles Lizaveta Anshina, Ekaterina Antonenko, Antonio Buonuario e DJ Diaki.
Por seu turno, Israel tem o seu lugar no Arsenal, sob o título “Rose of Nothingness” (“Rosa do Nada”, em tradução livre), um pavilhão comissariado por Michael Gov, com curadoria de Avital Bar-Shay e Sorin Heller, tendo como artista do projeto Belu-Simion Fainaru.
Foto: © Bienal de Veneza
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