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Pedra Dura regressa a Lagos com Sciarroni, Vera Mantero e Clara Andermatt

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COFFEEPASTE
8 de Outubro de 2026

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Pedra Dura regressa a Lagos com Sciarroni, Vera Mantero e Clara Andermatt

O Pedra Dura – Festival de Dança do Algarve volta a Lagos de 4 a 14 de novembro, em vários espaços da cidade, com uma programação que junta dança, cinema, música e masterclasses. Na 5.ª edição, o festival parte da ideia "Voltamos atrás sem repetir o momento" para revisitar o que ficou para trás: reconhecer o que deixou marca, reencontrar memórias e perceber o que ainda permanece em movimento.


Entre os destaques está Alessandro Sciarroni, com Save the Last Dance for Me. A peça recupera a polka chinata, antiga dança de cortejo bolonhesa, e transforma-a num dueto contemporâneo sobre intimidade, tensão e confiança. Vera Mantero apresenta uma misteriosa Coisa, disse o e.e. cummings, solo estreado em 1996 na "Homenagem a Josephine Baker", uma iniciativa da Culturgest. Clara Andermatt traz O Cansaço dos Santos, uma obra em que ícones rituais e religiosos são atravessados por uma intensa fisicalidade e por uma sexualidade latente.


Na programação internacional, Tales Frey apresenta o espetáculo Be (on) you, sobre identidade, desejo e alteridade no espaço público. Mostra ainda a instalação Zona de Contacto, no Museu de Lagos, e dá uma masterclass sobre indumentos performativos. Em Megastructure, Sarah Baltzinger e Isaiah Wilson partem da sua experiência enquanto casal para explorar a coabitação de dois corpos. Chiara Corbetta, intérprete da peça, dá uma masterclass sobre a prática coreográfica dos criadores. Bruno Senune participa com Nácar, sobre o esquecimento e a ficção das memórias de infância, e com Melancolia, um ritual no espaço público. Polina Kanis apresenta Celebration, que usa o vídeo e a performance para questionar as estruturas de poder.


Entre as criações nacionais estão Final Girl, de Rina Marques e Rui Paixão, um solo inspirado no cinema de terror que usa a figura da sobrevivente para pensar o medo e a resistência. Bernardo Chatillon apresenta SECO, sobre a dificuldade de pôr em palavras a experiência contemporânea. O programa inclui também This is Not a Love Story, This is A & B, de Maurícia | Neves, Grief in progress, de BULLYACHE, e An embodied exploration of human manipulation, de Ioanna Anousaki, sobre relações tóxicas.


O cinema conta com cinco propostas. Pele Nómada, de Aline Belfort e João Fiadeiro, segue o coreógrafo por lugares ligados ao seu percurso e ao do atelier RE.AL. O filme é apresentado em diálogo com Crying Cycle III, de Daniel Matos e João Catarino. Para as escolas, há O Corpo que Atravessa, de Mário J. Negrão, que parte de Sensorianas, de Clara Andermatt. Bull's Heart, de Eva Stefania, acompanha Dimitris Papaioannou e a sua equipa na criação e digressão de Transverse Orientation. HURLE, de Flora Détraz, constrói-se em torno da figura de uma mulher-oráculo.


Na música, ANTERA apresenta Delíria, um concerto-performance que reinventa a tradição portuguesa com eletrónica e canção de autor. REZMORAH traz HÍBRIDA, entre a música e a poesia eletrónica, e alga, projeto de Cláudia Simões, propõe uma experiência sonora performática. Há ainda DJ sets de Von-Cente, João Melgueira e Tiago Assis, no âmbito da Mad Roller Disco, de Guilhotina, com Cumbia Sunset, e de VNHQ.


A parceria com o Centro Ciência Viva de Lagos continua, com a visita performativa Aqui há um buraco, de José Ferreira, e a palestra Iluminismo e Renascimento, para as escolas. O CenDDA – Centro de Documentação de Dança do Algarve inaugura uma nova exposição, em parceria com a Biblioteca Municipal Dr. Júlio Dantas e o Município de Lagos. No Centro Cultural de Lagos, Roommates, de Ruben Bellinkx, reúne as projeções Double Bind e Stasis.


O festival recebe também o lançamento da nova edição da revista Coreia, com a performance Reverberações de um corpo-tela, de Wura Moraes. As residências artísticas, que fazem parte do festival desde 2024, continuam com uma parceria nacional, com os Estúdios Victor Córdon e o Centro Ciência Viva de Lagos, e outra internacional, com a Kultur | LX e a TROIS C-L. O projeto Corpo Crítico, dirigido por Rita Rodrigues, junta várias pessoas para acompanhar a programação em conjunto. Tiago Mansilha volta a conduzir conversas depois dos espetáculos e o podcast Podemos tratar-nos por tu?.


O Pedra Dura tem direção artística de Daniel Matos e Joana Flor Duarte. É uma coprodução da Cama – Associação Cultural e do Município de Lagos e tem o apoio da Direção-Geral das Artes. O programa completo está em www.festivalpedradura.com.


Foto: Final Girl, de Rina Marques e Rui Paixão © João Octávio Peixoto

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