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Roxana Ionesco: o ritual da cabra para dizer olá ao medo coletivo

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COFFEEPASTE
27 de Novembro de 2025

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Roxana Ionesco: o ritual da cabra para dizer olá ao medo coletivo

"CAPRA - or how to say hello to fear" surge como um espetáculo visceral criado a partir de uma tradição ancestral pagã da memória coletiva romena e moldava: a Cabra do Ano Novo. Pela mão de Roxana Ionesco, este projeto propõe-se a ser um ritual de renovação e uma ponte que nos permite, coletivamente, questionar o que existe para além do medo.

Num ato de religação às suas raízes, a criadora reuniu uma equipa de artistas romenas e moldavas a residir em Portugal para investigar e recriar esta celebração que visa espantar o ano antigo. O resultado é uma intersecção entre o passado e o futuro, onde a figura da "Capra" - outrora vista por alguns como a personificação do diabo e alvo de censura religiosa - é agora reinventada e humanizada.

Nesta conversa, Roxana Ionesco explica-nos como transformou uma tradição historicamente masculina num grito de emancipação protagonizado por mulheres e como, através da arte, procura enfrentar a "Frica" (o Medo) e o desconhecido.

O espetáculo será apresentado nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2025 às 20h00, na Latoaria.

O que te levou a explorar esta tradição da CAPRA? Há alguma memória pessoal ligada a este ritual?
O meu desejo de explorar o conceito de medo trouxe-me até esta tradição que me metia imenso medo quando era criança. O medo era generalizado, quase todas as pessoas que conheço tinham medo da Capra. Esta tradição consistia basicamente numa ou mais pessoas mascaradas de cabras a andar de casa em casa com um grupo de músicos a cantar e tocar muito alto. Além disso, após investigar, descobri que é uma tradição que está a tentar ser banida pela igreja cristã por acreditarem representar o Diabo na terra. Este medo que a igreja nutre por uma mera marioneta que pode representar o Diabo, também me interessou. A acrescentar, antigamente a dança da cabra era realizada para, coletivamente, chamar a bonança para o ano novo, enquanto se despediam do ano antigo. Era, deste modo, uma forma de ultrapassar o medo da novidade/desconhecido (que o ano novo traz) em coletivo.

Houve algum elemento desta tradição que tenhas sentido a necessidade de reinventar?
Este ritual era e ainda é, praticado apenas por homens Cis. A nossa primeira decisão foi inverter isto. Além disso, era um ritual mais dedicado à fertilidade do solo. Neste caso decidimos seguir o caminho da preparação coletiva para enfrentar a novidade que o Ano Novo traz: o desconhecido. Desconhecido esse que acreditamos estar na base de todos os medos. 

Que tipo de pesquisa sustentou a criação deste espetáculo?
Sendo um ritual romeno/moldavo, fez-me sentido convidar artistas romenas/moldavas a juntarem-se a este processo. A partir daí, em conjunto, começámos uma pesquisa intensa tanto acerca da ideia de ritual como acerca deste ritual em específico. Investigámos a sua transformação através do tempo e também o conceito de "medo". A esta pesquisa juntei elementos biográficos meus e das intérpretes, de forma a resgatar as nossas raízes romenas, celebrá-las mas também colocá-las em causa sempre que possível. No fundo, a tradição serve como meio de questionamento acerca do que existe na raíz dos nossos medos e o que os conecta. Em cena estarão 3 Capras, todas reflexo dos medos de cada uma das intérpretes que lhes dão vida. As Capras são ainda espelho da passagem do tempo. A primeira é a mais tradicional, digamos. A segunda é a Capra ponte, que nos possibilita a existência da terceira Capra que dramaturgicamente é a que se afasta mais da original.

De que forma o espetáculo aborda o medo? Que tipo de "medo" estás a evocar?
Partimos dos nossos medos individuais, questionamo-nos quais os nossos maiores medos. Medos tanto pessoais, como medos conectados a elementos que temos em comum, como por exemplo a emigração. A partir daí, tentámos entender como lidar com estes medos e acima de tudo o que está na base de todos, se é que existe algo que interconecta todos os medos. O passo seguinte passou por traduzi-los em acções, palavras, sons, figurinos e paisagens.

Porque descreves a CAPRA como uma "ponte coletiva"? O que liga? O que une?
Através desta tradição, o povo prepara-se, coletivamente para enfrentar o medo que o desconhecido do novo ano lhes traz. Em CAPRA - or how to say hello to fear, as intérpretes também passam por um momento de preparação para após poderem enfrentar ou conviver com o seu medo coletivamente. Através da prática deste ritual no espetáculo, as intérpretes criam a ponte para uma possível convivência com os seus medos, e isto é mais fácil quando feito em coletivo. 

Foto: © Max Shuz

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