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A atividade do teatromosca no Auditório Municipal António Silva (AMAS), no Cacém, Sintra, está em risco, segundo a companhia, porque a administração do edifício proibiu a sua utilização após as 20:30.
A situação foi avançada hoje à agência Lusa pelo diretor artístico daquela companhia, Pedro Alves, que considerou tratar-se de uma “situação inusitada que claramente mete em perigo não a atividade do teatromosca mas de todo o trabalho que a companhia tem vindo a fazer naquele auditório desde 2018”.
O AMAS, que se situa no interior do Shopping Cacém, é propriedade da Câmara Municipal de Sintra e está alugado ao teatromosca que ali desenvolve atividade regular há seis anos.
A companhia tomou conhecimento, em julho último, que a assembleia de condóminos decidiu passar a encerrar o 'shopping' às 20:30, o que já acontecia desde a primeira epidemia de covid-19, mas agora sem exceções.
“Até aqui funcionávamos normalmente, articulando com a administração do 'shopping', que desde a covid passou a fechar às 20:30, mas como algumas das nossas atividades são a partir das 21:00 comunicávamos com antecedência à administração do 'shopping' e a administração prolongava o horário do segurança, permitindo que se mantivesse aberto para as pessoas poderem aceder à bilheteira, irem às casas de banho e entrarem no auditório”, acrescentou.
Em julho, a administração do condomínio contactou a companhia de teatro informando-a de que não estavam satisfeitos com a utilização do auditório após as 20:30, tendo, marcado uma assembleia de condóminos, na qual a “Câmara de Sintra não esteve presente, delegando o seu voto no administrador do condomínio”, observou Pedro Alves.
Sem uma relação “pacífica” desde o início com aquela administração, que “não tem qualquer gosto pela cultura nem pelas artes”, a companhia viu-se proibida de utilizar o auditório após as 20:30 no passado dia 01, a três dias do início do Festival Muscarium, disse o diretor artístico do teatromosca.
Pedro Alves frisou que apesar de imediatamente terem tentado contactar a câmara de Sintra por telefone, mensagens e correio eletrónico, não obtiveram resposta.
Há dias receberam uma resposta de “uma chefe de divisão” daquela autarquia a referir que o assunto do AMAS “passou para a divisão de gestão de património” e que a companhia “deve aguardar novidades”.
No fim de semana passado, o teatromosca desenvolveu as mesmas atividades previstas para o AMAS, ainda que “em condições ilegais”, nomeadamente ausência de portas de emergência e impossibilidade de uso de casas de banho, que se situam no interior do centro comercial, contando continuar a fazê-lo enquanto puder para não porem em risco as atividades programadas para o local, adiantou.
A Lusa contactou a Câmara de Sintra, e aguarda resposta.
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