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A mensagem do Dia Mundial do Teatro é este ano assinada pelo ator norte-americano Willem Dafoe, que destaca o teatro como espaço de encontro e reflexão, num mundo marcado pela fragmentação social e pelo impacto das novas tecnologias.
A mensagem do Dia Mundial do Teatro 2026 foi traduzida para português por Tiago Fernandes, do Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana.
Iniciado em 1961 pelo Instituto Internacional de Teatro (ITI, na sigla em inglês), da UNESCO, o Dia Mundial do Teatro é comemorado anualmente a 27 de março, tendo a primeira mensagem sido escrita por Jean Cocteau em 1962.
Desde então, a tradição tem-se mantido e todos os anos o ITI convida uma personalidade de relevo mundial a redigir uma mensagem dedicada ao tema “Uma Cultura de Paz”, que é lida em teatros de todo o mundo.
Esta mensagem é depois traduzida para dezenas de idiomas e lida antes de apresentações em teatros de todo o mundo, além de publicada em diversos meios de comunicação.
Admitindo que é mais conhecido pelo seu trabalho no cinema, o ator e criador Willem Dafoe começa por afirmar que as suas “raízes estão profundamente no teatro”, e recorda o seu percurso, até aos dias de hoje, em que é diretor artístico do Festival de Teatro de Veneza.
Na sua mensagem, Willem Dafoe sublinha a importância da experiência teatral como ato coletivo e presencial, lembrando que as “apresentações de peças em progresso eram sempre entusiasmantes - mesmo se o reduzido público fizesse um juízo arrasador sobre o nível de interesse que o nosso trabalho suscitava”.
Recordando a frase inscrita num letreiro que existia na sala de ensaios - “Para vencer é preciso estar presente” -, Willem Dafoe salienta que a experiência partilhada em tempo real de um ato de criação, “é com certeza a força óbvia do teatro”.
“Socialmente, e politicamente, nunca o teatro foi tão importante e fundamental para a nossa compreensão de nós próprios e do mundo”, considera o artista.
Nessa medida, alerta para o impacto das novas tecnologias digitais e das redes sociais, o verdadeiro “elefante na sala”, que “prometem conexão”, mas “fragmentaram e isolaram as pessoas umas das outras”, defendendo que o contacto humano corre o risco de ser substituído por relações com dispositivos.
Segundo o autor, apesar da utilidade de alguma tecnologia, “o problema de não saber quem está do outro lado do círculo da comunicação cava fundo, contribuindo para uma crise da verdade e da realidade”, que contrasta com “a sensação de maravilha que o teatro cria”, um “deslumbramento” assente na atenção, no compromisso e na comunidade espontânea formada por quem está presente no momento da representação.
Willem Dafoe defende ainda que, num mundo “cada vez mais dividido, controlador e violento”, o teatro deve evitar tornar-se apenas uma atividade empresarial “unicamente dedicada ao entretenimento pela alienação, ou como um árido guardião institucional de tradições secas”, mantendo a sua capacidade de unir povos, comunidades e culturas e, acima de tudo, questionar o rumo da sociedade.
“O grande teatro é sobre desafiar a forma como pensamos e encorajar-nos a imaginar aquilo a que aspiramos”, afirma, acrescentando que, enquanto forma de arte total, o teatro pode ajudar a compreender “o que foi, o que é, e o que o nosso mundo poderia ser”.
Willem Dafoe foi um dos fundadores do influente coletivo The Wooster Group, em Nova Iorque, conhecido pela sua abordagem inovadora ao teatro de vanguarda.
Trabalhou com criadores como Bob Wilson, Marina Abramovic, Richard Foreman e Romeo Castellucci.
No início dos anos 1980, iniciou também um percurso no cinema, tendo sido por quatro vezes nomeado para os Óscares.
Foto: © Wikipedia
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