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Yael Karavan: Viver no espaço entre

Por

 

Pedro Mendes
24 de Novembro de 2025

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Yael Karavan: Viver no espaço entre

Instalada em Lisboa desde 2019, Yael Karavan chega à estreia de Outro Lado com três décadas de pesquisa entre dança, teatro físico e uma relação profunda com a filosofia do Butoh. O solo nasce num território de passagem — entre luz e sombra, vida e morte, visível e invisível — e convoca memórias pessoais, heranças artísticas e uma busca constante por um estado de presença. Nesta conversa, Yael fala do “espaço entre” onde sempre viveu, do impacto do Butoh na sua prática, das colaborações que moldaram a peça e da relação íntima com o mistério que atravessa toda a sua obra. O espetáculo pode ser visto  dias 29 e 30 de novembro na Lua cheia / casa do coreto pelas 19h30 e dia 5 de dezembro n’A Moagem no fundão pelas 21h30.

Outro Lado nasce entre a dança e o teatro, entre a luz e a sombra. Como descreverias esse “espaço entre”?

Esse “espaço entre” – in between – é um lugar em que estou a viver e a trabalhar há muitos anos. Um dos meus solos anteriores, chamava-se mesmo In Between. Enquanto pessoa, na minha vida, eu sempre fui in between. Eu sou uma in betweener: moro num espaço entre, não pertenço a nenhuma terra, a nenhum lugar, estou sempre estrangeira. E, ao mesmo tempo, adapto-me sempre aos novos lugares. Não me coloco em nenhuma caixa, então sou sempre entre. Entre lugares, entre espaços, entre linguagem e idiomas.

Também no meu trabalho: comecei com circo, depois teatro, depois televisão, teatro físico e, mais tarde, encontrei a Dança Butoh. Mas, na verdade, continuo in between. Tudo o que aprendi em relação à minha arte está entre continentes – entre Europa, EUA, Brazil, Rússia e Japão. O meu trabalho procura fazer a ponte entre Ocidente e Oriente.

E acho que também a nossa vida é entre. O Butoh fala muito disso: é a dança entre a luz e a escuridão, entre a vida e a morte, entre a realidade e o sonho, entre o consciente e o subconsciente, e no mais básico, entre a terra e o ceu E nesse lugar que moramos: existimos entre muitas contradições.

Dizes que o espetáculo é “uma viagem além do que é visível”. Que imagem te guiou durante a criação?
Eu sempre trabalho com imagens oníricas, gosto desse espaço – voltando a falar desse “entre” – um espaço entre o fisico e o metafísico. Um lugar de abrir fendas entre coisas desconhecidas, que não sabemos, ou que não temos a certeza, para nos lembrar desse mistério da vida. Kazuo Ohno, um dos grandes mestres de Butoh, diz que, entre os ossos, nas articulações, temos todos os mistérios dos nossos ancestrais e o mistério da própria vida. Gosto dessa idea, essa busca invisivel.

Mas também, depois da morte do meu pai, há quatro anos e meio. Percebi que existem muitas coisas misteriosas. O meu pai reaparece em vários momentos da minha vida, especialmente através de escadas, que foi um elemento forte no trabalho dele – uma escada vermelha que também faz parte do espetáculo. Quando penso nele, sento-o de pé sobre a minha cabeça, ou como se eu o carregasse na costa. Todo esse mistério da relação com o desconhecido… Por isso acho que esse é um lugar muito misterioso para mim e que estou interessada a investigá-lo n’essa peca.

Acho que existem espaços e, quando os abrimos, damos oportunidade ao desconhecido entrar. O ser humano está muito focado no mundo físico – claro, vivemos num mundo material – mas às vezes esquecemos do mosteiro do invisível. Como o espaço MA, um conceito japonês que também esta usado no Butoh, um espaço vazio, entre, o in between, que na verdade se calhar não é vazio, mas uma abertura para muitas possibilidades. Esse espaço me interessa. Me parece uma oportunidade de se perder um pouquinho.

 

O Butoh parece ser o ponto de partida e também o coração da peça. Que importância tem esta prática na tua vida artística e pessoal?

Há 30 anos vi pela primeira vez um espetáculo de Butoh: foi de Sankai Juku, Unetsu. Para mim, além de sentir algo muito ritualístico, que mexeu profundamente com a minha vida interior, pareceu também um lugar onde todas as coisas que eu gostava na arte que faço se cruzavam.

Tenho uma forte estética visual – o meu pai era artista visual, algo que tinha uma grande influenza a minha vida. E ali havia esse elemento entre dança e teatro: não era apenas uma coreografia dançada, havia momentos mais teatrais. E trabalhavam com elementos naturais como areia e água. Foi um lugar que me reconectou com uma lembrança muito antiga que morava dentro de mim. E queria conhecer mais, então cheia de curiosidade, logo viajei pelo Japão.  Tinha a sorte de ainda encontrar o Kazuo Ohno, um dos fundadores do Butoh e a Motofuji San, esposa do Tatsumi Hijikata, fundador do Butoh. Estudei e trabalhei com mais de quinze coreógrafos e dançarinos de Butoh diferentes, entre Japão e Europa, e percebi que o Butoh, na realidade, é uma filosofia. Uma filosofia que me permite procurar a minha linguagem a partir do meu conhecimento e do meu olhar sobre tudo o que está dentro de mi e ao meu redor. É o que chamo de ligar o meu pequeno “eu interior” ao grande “eu exterior”. Foi uma forte conexão com a pesquisa que eu já procurava. Uma dança através de imagens… Senti que, na dança contemporânea, no ballet, na mímica – havia muitas regras. E eu gosto de quebrar essas regras, de estar in between. O Butoh deu-me exatamente as ferramentas para ir muito dentro de mim e encontrar as minhas origens, mas ao mesmo tempo poder dialogar com o agora: com as perguntas do mundo atual, com os problemas sociopolíticos, com a desconexão total em relação a tudo o que está ao nosso redor. Estamos completamente desconectados da natureza que somos. E o xintoísmo, religião Japonesa animista que informava a visão do mundo de Hijikata Tatsumi, conecto-me muito com esse pensamento onde tudo tem ‘Alma’ tudo esta ‘vivo’ não apenas o ser humano! Então, como podemos, através da dança, através da filosofia do Butoh, reconectarmos a tudo?

O problema com o “Butoh” é que muitas pessoas acham que é uma técnica, uma forma, e viro a ser um cliché, porque viram alguns japoneses pintados de branco a fazer caretas e movimentos esquisitos e lentos. E depois, quando digo que faço Butoh, têm a expectativa de que vão ver isso. Só que “Existem tantos tipos de Butoh quanto coreógrafos de Butoh.” Diz Tatsumi Hijikata. É uma filosofia, uma maneira de pensar, uma pesquisa. Mas como não gosto de caixas, também não chamo o meu trabalho de Butoh. Esse solo e um homenagem as 30 anos dessa pesquisa Butoh, que mudo a minha vida.

Outro Lado e um espetáculo feito da minha linguagem que é muito visual, entre dança e teatro, um poema físico e visual. O Butoh é a minha ferramenta, o meu professor, a minha filosofia, e por isso que tem essa importância.

Trabalhas com imagens oníricas, com o absurdo e o trágico. Há sempre uma dimensão emocional forte no teu trabalho. Que emoções queres despertar no público?
Acho que, neste trabalho, há vários níveis. Por isso é uma viagem! Há um elemento muito forte, que é o da metamorfose. Uma viagem através da evolução da vida. Para mim, é importante perceber quando essa vida é um milagre e quanto ela é muito maior do que o nossos egos. Há toda essa conexão com vários níveis além de nós. Somos pequenas partículas dentro desse planeta maravilhoso, onde há água, plantas, muitas espécies, onde existem tempos diferentes. Estamos pendurados num planeta redondo, colorido, num universo infinito. E, quando percebemos que estamos conectados a algo maior, talvez tenhamos mais possibilidade de entender o milagre disso tudo. Por isso é onírico: porque vai além do dia a dia. Parece uma outra dimensão, mas talvez é apenas o micro e o macro. A muitos anos, na Inglaterra, dirigi um espetáculo sobre a morte, e quando fizemos a pesquisa li que, se pensássemos na nossa própria morte todos os dias, seríamos muito mais felizes. Aproveitaremos mais do “presente” (que também e uma prenda) Então, as emoções são uma forma de reconexão, de relembrar o tamanho dessa aventura chamada vida. Acho que merecemos lembrar desse milagre, especialmente quando o mundo material esta nos invadindo de todos os lados e destruindo a natureza, inclusive a nossa natureza.

 

A luz, criada por Eduardo Albergaria, parece ter um papel quase coreográfico. Como foi o vosso diálogo durante o processo?

A luz, para mim, sempre foi um elemento fundamental do meu trabalho artístico em cena. Como trabalhei muito sozinha desde muito jovem, os objetos e a luz tornaram-se companheiros: a luz que traz a sombra, que revela o escondido, que pode focar num lugar e ocultar outro, fazer as sombras dançarem comigo, moverem-se enquanto eu permaneço imóvel. É quase um diálogo com um corpo sem corpo. Isso vem desde criança: sempre tive muita fantasia, muita conexão com um mundo que não posso tocar, mas com o qual posso brincar.

O Eduardo conhece-me há muitos anos porque eu trabalho no Brasil há muito tempo, e além disso, ele já tinha trabalhado com outros artistas de Butoh. “O mais importante no palco é a luz, depois o corpo e, por último, a dança.” Diz Tatsumi Hijikata, É exatamente isso que acontece: Luz e corpo em diálogo constante. O Eduardo trabalhou, no Brasil, com o Tadashi Endo. Eu trabalhei com Tadashi no início do meu percurso de Butoh, durante quase nove anos, de 2000 a 2009, na MaMu Dance Theater. Agora, depois de 16 anos, eu iria trabalhar com ele novamente, revisitar essa ligação, mas, de repente, este ano ele morreu. Para nós, ha momentos em homenagem ao Tadashi na peça: É realmente um diálogo, uma dança dialogada.

 

Também trabalhaste com artistas como Vera Mantero, Tanya Khabarova e João Bento. O que cada um trouxe de essencial à peça?

O Butoh trabalha muito com o subconsciente, e tem ferramentas específicas para chegar a esse lugar. Senti esse elemento muito forte no trabalho da Vera  Mantero, estava curiosa d’as formas que a Vera aborda essa pesquisa, maneiras de criar, a partir du subconsciente. Então foram dois dias muito divertidos com a Vera. A Tanya Khabarova, foi uma importante mestre minha, que tornou se uma parceira e colaboradora artística. Trabalhei com ela durante muitos anos, primeiro, como membro da companha de Dança Teatro Derevo – (um dos teatros mais incríveis do final dos anos 1990 e início dos anos 2000, que ganhou imensos prémios em Edimburgo e noutros festivais mundiais.) Trabalhei como membro de DEREVO durante três anos. Mas com a Tanya tivemos uma parceria durante muitos anos depois. Quando o Tadashi morreu, tão de repente, queria ter uma referência de alguém que me conhecesse (a Tanya me conhece desde 1997!) E que tem essa ligação com o fundamentos do Butoh. Pareceu obviou que deve ser ela. A Tanya é uma artista incrível. Ela acabou de chegar, e ja sinto esse toque magico dela para terminar os últimos detalhes da peça. Uma observação tanto preciosa que ela tem, pra afinar a composição final da obra. O João Bento cria a sonoplastia da peça, ele cuida da paisagem sonora. Tinha vontade de colaborar com ele, sou muito fa, o trabalho dele me leva para outras realidades, e são viagens– sinto que temos um casamento artístico muito bom.

 

Falas de uma “escada dentro do peito”. É uma imagem belíssima. Surgiu durante o processo ou já te acompanhava há mais tempo?

“Um artista de Butoh deve ser um osso congelado que transcende o gênero… Eles [as pessoas] criam um deserto ao seu redor e depois reclamam que não há água. Porque eles não tentam beber dos poços de seus próprios corpos? Em vez disso, eles deveriam deixar cair uma escada bem no fundo de seus próprios corpos e descer. Deixe-os arrancar a escuridão de dentro de seus próprios corpos e comê-la. Mas eles sempre buscam uma solução fora de si mesmos” – Tatsumi HIJIKATA, fundador do Butoh.
Essa imagem da escada dentro do peito vem de varias inspirações,  principalmente dessa citação do Hijikata, que acho muito inspiradora para essa peca. Mas a escada para mi, ten também a ligação com o sonho, o onírico, o “outro mundo/lado”, isso vindo da historia da escada de Jacob, do antigo testamento. E também da relação com o meu pai. Uma pessoa e artista incrível: Dani Karavan, que fez obras monumentais pelo mundo, quase inaugurando o trabalho site-specific nas artes plásticas, numa linha próxima da land-art. Fez também cenografias para Martha Graham. Era uma grande referência. No trabalho dele aparecem escadas, uma vez roubei uma escada vermelha, pequenininha, feita de madeira por uma das maquetes das obras dele, e ainda a tenho comigo. Desde que ele morreu, em momentos importantes da minha vida surge uma escada vermelha. Seja perto do teatro, perto do local da residência, no metro, quando falo dele. Eu sinto muito a presença dele.
São essas coisas juntas, como uma ponte ou jornada, pelo dentro profundamente, ou de volta para o fora. Acredito que o Butoh me deu ferramentas para descobrir que tudo está dentro de mim. Todo esse universo está dentro de nos, e o DNA de todos os nossos ancestrais. Nós buscamos tanta coisa fora… Essa escada, para mim, é esse gesto de voltar um pouco para dentro, para perceber que tu és em tudo, e que tudo esta em ti.

 

De que forma o contexto artístico português tem influenciado o teu trabalho?

Gosto dos trabalhos artísticos que vejo aqui em Portugal. Acho que a dança e a performance neste país tem uma força muito particular. Vejo obras muito contemporâneas, outras absurdas ou conceptuais, mas sempre profundamente incorporadas. E há também um lado grotesco muito forte. Temos coreógrafas grotescas incríveis, que vão para além dos limites do “bem apresentado”, do entretenimento, acho a dança em Portugal muita potente.

Tudo isso é profundamente inspirador para mim. O contexto português, com essa abertura ao risco, ao grotesco, ao absurdo e a um outro ritmo, alimenta o meu olhar e o meu pensamento. Faz-me querer entender como a minha linguagem – que vem de outros lugares, de outras tradições e sensibilidades – pode dialogar com essa paisagem.

 

Tens uma carreira internacional longa, entre palco, museus e espaços não convencionais. O que procuras num espaço para o transformar em cena?

Volto a falar do meu pai. Ele era um artista environmental, criava grandes monumentos e desejava que as pessoas se desenvolvesse com as obras – que subisse, que se movesse com ela, que fizesse parte daquela experiência. Desde pequena, ele dizia: “Vai, sobe nas minhas obras, para às pessoas perceberem que elas podem brincar com o meu trabalho, que podem subir nele.” Esses mundos geométricos, naturais e ao mesmo tempo místicos que ele criava tornaram-se também os meus mundos alternativos.

Acabei por fazer muitas performances a partir do trabalho dele – especialmente no Japão, onde fui convidada várias vezes, mas também em Espanha, França, Alemanha, Itália… E, além disso, com a minha própria companhia, a Karavan Ensemble, tenho trabalhado e experimentado em inúmeros espaços não convencionais.

É difícil dizer exatamente “o que procuro” num espaço. Na verdade, acredito que qualquer lugar pode ser transformado em cena, se eu conseguir escutá-lo. Acho que herdei isso do meu pai, essa capacidade ou necessidade de ouvir um espaço, de apreendê-lo como se fosse uma pessoa ou uma presença. No xintoísmo tudo tem alma, seja uma casa, uma pedra, uma cadeira, uma pessoa. Tudo contém conhecimento, memórias, histórias. É sobre estabelecer uma relação. Então, o que eu procuro é isso: escutar o espaço, olhar para ele com atenção e criar uma conexão real. A partir daí, qualquer lugar pode tornar-se palco.

 

O que te move, hoje, como artista, depois de quase trinta anos de percurso?

Poder descobrir coisas novas a cada dia; sentir amor para o meus amigos, com essas relações tão preciosas que podemos criar uns com os outros, mas e também com a natureza ao redor de nos, e como cuidar bem delas. A escutar, o olhar… cada dia é diferente, uma nova coisa. Gosto de aprender algo todos os dias, de descobrir. Estou sempre muito tentada a entender porque é que essa espécie chamada ser humano tem a necessidade de destruir o mundo onde ela mora, onde vive. Porque é que nos estamos a afastar da natureza, que é a coisa a mais básica que nos sustenta, que nos da vida, que e misteriosa e miraculosa. Tento entender a loucura do ser humano, que gosta de coisas brilhantes, que gosta de poder, que gosta de ser mais do que os outros.

Eu não sei… eu estou à procura da magia. Acho que há muita magia à nossa volta. E cada vez que caímos na burocracia, em problemas de saúde, em todas as dificuldades e os desafios da vida, ou nos problemas políticos – vejo este mundo que vai cada vez mais para a direita, para o nacionalismo, para o fascismo, para as guerras – acho que pode ser porque perdemos esse mistério. Perdemos esse amor básico. Perdemos o valor das coisas, das vidas.

Adoro a imagem do bambu. Em japonês, o kanji, a escrita da palavra “bambu”, tem a mesma raiz da palavra “ser humano”. O bambu é flexível e é vazio por dentro, é disponível. Nós estamos muito cheios dos nossos problemas, dos medias, de data, dos nossos egos. E como é que se encontra esse presente, esse agora, para simplesmente ser – to be – como pode ser? É a coisa mais básica e mais difícil: poder ser tocado pelo universo como uma flauta japonesa feita de bambu.

Como viver um com o outro e entender que todos nós precisamos de amor? Como entender que todos nós somos frágeis? Eu procuro a empatia num lugar onde todos nós nos conectamos com tudo.

É esse lugar mágico e misterioso, que para mim, está profundamente ligado à presença. Quando estou presente, agora, no meu bambu, estou dentro e fora ao mesmo tempo, eu sou tudo e nada ao mesmo tempo.

 
Foto: © Kylie Sharp Michell

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