E se a palavra pudesse dançar? E se o corpo pudesse falar?
Nesta oficina, exploramos como a palavra – dita, fragmentada, inventada – pode habitar o corpo e transformar a dança. Mais do que um recurso narrativo, a palavra surge como presença física, como gesto que vibra e altera a qualidade do movimento.
Através de práticas de teatro e dança, improvisações e jogos performativos, investigamos a tensão e o diálogo entre corpo e linguagem: como o movimento dá corpo às palavras e como as palavras, por sua vez, podem reconfigurar o movimento. Destinada a intérpretes, atores, bailarinos, performers, estudantes e curiosos das artes performativas, esta formação propõe um percurso para descobrir como corpo e palavra se alimentam num mesmo impulso criativo.
Ao longo das sessões, os participantes são convidados a investigar como o pensamento se move, como a palavra se transforma em ação, como o imaginário altera o corpo e como a palavra se converte em material coreográfico.
Henrique Furtado Vieira:
Henrique Furtado Vieira é bailarino, performer e coreógrafo, radicado em Lisboa. Formado inicialmente em Engenharia de Energia e Meio Ambiente, desenvolveu a sua formação artística em várias instituições francesas, entre as quais o INSA de Lyon, o CDC de Toulouse (Extensions) e os programas Prototype II e Dialogues III da Abadia de Royaumont. Desde então, tem construído uma prática que atravessa a criação coreográfica, a interpretação e a colaboração com diversos artistas, como Bleuène Madelaine, Eric Languet, Aurélien Richard, Céline Cartillier, Tino Sehgal, Salomé Lamas, André Uerba, Sofia Dias & Vítor Roriz, Ana Renata Polónia, Vera Mantero, Boris Charmatz e Tania Soubry. Mais recentemente, tem colaborado como dramaturgista com Nicolas Hubert (Compagnie Épiderme) e Giulia Arduca (Compagnie Ke Kosa). O seu trabalho artístico, apresentado em instituições nacionais e internacionais, destaca-se pela sobreposição de estilos e géneros, pela presença da palavra na dança e pelos espaços de imaginação que convoca. As suas criações são frequentemente desenvolvidas em sinergia com outros artistas, como Bibi Ha Bibi (com Aloun Marchal), Stand still you ever-moving spheres of heaven (com Chiara Taviani) ou Morrer pelos Passarinhos (com Lígia Soares). Em paralelo, dedica-se à investigação, à pedagogia e à escrita em relação com a dança, colaborando com diferentes estruturas e projetos (O Rumo do Fumo, Unlock Dancing Plaza, Ballet Contemporâneo do Norte, Colectivo 84, Comédias do Minho, GrETUA, entre outros). Foi co-curador da segunda edição do projeto Matéria, ao lado de Catarina Vieira e Josefa Pereira, organizando encontros mensais abertos à comunidade para a partilha de práticas artísticas. Nos últimos anos, tem aprofundado também o seu interesse pela pedagogia com crianças e adolescentes, conduzindo oficinas e projetos educativos por todo o país. Como facilitador de educação emocional, é certificado pelo programa LUPA da Escola das Emoções e possui formação em Comunicação Não-Violenta, com foco na sua aplicação com crianças. Alimentado por estas experiências, dedica-se a criar espaços de relação e expressão onde cada pessoa - e, em particular, cada criança - se possa sentir segura, vista e valorizada.