Orlando Franco é um artista visual sediado em Lisboa. A sua prática cruza vídeo, fotografia, instalação e desenho, explorando as múltiplas possibilidades da imagem, muitas vezes em diálogo com o imaginário cinematográfico. O seu trabalho investiga conceitos como tensão, esforço e suspensão, erro e falha, peso e leveza, realização e frustração. Expõe com regularidade desde o início dos anos 2000, em contextos institucionais e independentes. Paralelamente à sua prática artística, desenvolve atividade como curador independente e professor universitário.
A palavra que serve de título para esta exposição não fixa um sentido, desloca-se entre línguas e usos, oscilando entre o gesto, o som e a máquina. Nesse intervalo instável, instala-se um conjunto de obras que orbitam o imaginário do cinema, enquanto experiência sensorial e psíquica, mas, sobretudo, como espaço de construção da alteridade.
O projeto inicia-se com uma instalação de vídeo, onde a imagem de olhos humanos é sujeita a um gesto invasivo. A visão torna-se matéria, resistência e limite físico. A partir daí, a exposição desenvolve-se como uma sequência de imagens-clarão de natureza traumática, onde o olhar se desprende do corpo e passa a habitar dispositivos, superfícies e distâncias.
Entre a memória do cinema como espaço de alteridade, onde o drama, o medo e o suspense encontram forma, e a brutalidade do real, dran aproxima-se da lógica do drone: ver de cima, à distância, com precisão e frieza calculada. No entanto, esse olhar, que se apresenta como absoluto, revela-se instável, atravessado por ruído, contaminado pelo sonho e interrompido quando se tenta fixar.
A exposição é acompanhada por um texto que a atravessa. Uma escrita fragmentária onde sonho, ruído e deslocamento constroem um campo paralelo à experiência visual.
Na dualidade entre o corpo e a máquina, entre o cinema e a sua falha, entre o olhar e a sua interrupção, dran constrói-se como um campo de tensão. Não propõe uma leitura, mas uma condição: a de estar diante de imagens que nos obrigam a desviar, ligeiramente, o caminho.
Com o apoio: Art Dispertion | Beltrão Coelho | Universidade Lusófona (Departamento de Cinema e Artes dos Media – DCAM)