Dobra é um ciclo de exposições dedicado à fotografia contemporânea e às suas possibilidades expandidas. Em colaboração com os Space Collectors e a Appleton Associação Cultural, o projecto nasce da necessidade de deslocar a fotografia da sua condição tradicionalmente bidimensional e da lógica expositiva que a fixa como imagem autónoma. Aqui, pretende-se que a fotografia se apresente como matéria relacional, capaz de se inscrever no espaço e de convocar outras práticas artísticas numa acção instalativa. A fotografia é aqui entendida como um território de articulação entre imagem, espaço e temporalidade, deixando de ser um fim em si mesma para se tornar um elemento operativo, em diálogo com o som, a performance, a escultura, o design, a arquitectura e a gastronomia, entre outras disciplinas.
Ao longo do programa expositivo, o espaço é ativado como um lugar de experimentação, onde dois artistas de diferentes áreas são convidados a coabitar num mesmo território. Esta convivência é tratada como ocasião de contaminação criativa, na qual o pensamento e o fazer se desenvolvem em simultâneo.
O ciclo inclui ainda um momento de encontro e conversa entre o artista e o seu convidado, concebido como extensão do processo de trabalho, com data a anunciar.
Dobra procura também dar visibilidade a artistas emergentes, nacionais e internacionais, colocando-os em diálogo com criadores já estabelecidos. Deste modo, a fotografia mantém-se como eixo central do projeto, que se expande através dessas relações interdisciplinares, questionando o seu estatuto enquanto documento, memória, dimensão, arquivo ou objecto. O que se propõe é uma leitura da imagem enquanto algo instável, em permanente negociação com o contexto em que se inscreve.
A segunda Dobra reúne fotografias de Vítor Serrano e esculturas de Helena Vieira explorando as relações entre desejo, vitalidade e declínio.
Fotografias de plantas hirtas e murchas dialogam com formas orgânicas em cera de abelha que evocam simultaneamente composições florais, corpos e vestígios de transformação. Entre florescimento e decomposição, as obras refletem sobre o desejo como uma força que anima e consome, capaz de moldar a matéria e de a conduzir ao seu próprio esgotamento. Curvadas entre impulso e rendição, as formas presentes na instalação sugerem uma condição de servidão ao desejo: uma entrega inevitável a uma energia que sustenta a vida ao mesmo tempo que a desgasta.
Em Vergado Desejo o que permanece é o vestígio da intensidade, uma matéria ainda carregada pela memória do seu próprio ardor.
Curadoria: Rita Baleia
Co-produção:
Appleton Associação Cultural
Space Collectors
Apoio:
República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto
Direção Geral das Artes
Space Zero
De 2ª – 6ª
Das 10h – 18h
Rua Acácio de Paiva 20C, 1700-006 Lisboa