DATA | 21 de fevereiro
HORA | 21h30
SOBRE | M/12 | 60 minutos
Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer. E para medir uma pessoa, por onde começar? Pelos pés, mãos, umbigo ou cabeça? Por onde anda, faz, pensa de si ou do mundo? E quando medida, porque atributos é então definida? Quais os factores que entram na equação? A sua altura, peso, mobilidade, os seus órgãos, pêlo, voz, cabelo, idade, racionalidade, emotividade, identidade? Se πr² é a função da área do círculo, qual a função da área humana? E se mesmo a matemática pode ser infinita e irracional na busca de uma definição, da área da perfeição, e, ainda assim, estar sempre errada, produzindo apenas um valor aproximado, pode o ser humano, por seu lado, buscar a imperfeita verdade, fundada no interminável caos e na paradoxal experiência do mundo que o rodeia? Pi tenta medir-se, procurando a sua função entre o seu corpo artificial, a sua consciência imaterial, o mundo intran- sigente e as suas mentiras de sobrevivente. GPTO tenta medir-se, procurando a sua função entre o trabalho que realizou, o amor que dedicou, os sacrifícios que sofreu e os inadmissíveis erros que cometeu. Por onde é que se começa a medir uma pessoa? Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer.
SOBRE O ESPETÁCULO
“O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” parte do texto de Rosa Dias, actriz e dramaturga. Rosa, mulher trans, escreve um texto inspirado livremente no “Pinóquio” para criar um monólogo que nos oferece uma metáfora entre o mundo da tecnologia, robotização e AI e a identidade de género, integrando no seu elenco um actor trans.
Num momento de partilha íntima, Pi conta-nos aquilo que julgamos serem as suas memórias, reais ou não? Sempre interrompido por uma voz que nos fala da integridade de dados e os pâra- metros de integridade de Pi. Pi questiona GPTO constantemente, procura respostas que nem sempre chegam, sobre a família, o trabalho, a escola… Muitas inquietações e perguntas poderão certamente ser comuns a muitas pessoas cuja identidade de género é diferente da norma, mas também a muitos de nós cujo o padrão não encaixa num puzzle pré-concebido.
Sendo Pi um possível robot como nos relacionamos com esta personagem? “O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” é interpretado por Ren D Marcus, jovem actor integrado no elenco após uma audição a várias pessoas não-bináries e trans.
O desafio foi lançado e Ren aceitou-o de cabeça erguida, assumindo o risco, e abrindo a sua disponibilidade. José Maria Dias encena o espetáculo trazendo inspirações de um mundo consumido pela tecnologia. João M. Mota cria a música original, trazendo sonoridades de contextos culturais que nos trazem à cabeça “Blade Runner” ou “Dune”. A fragmentação da identidade e do ser, assim como uma visão de cores em RBG é traduzida na imagem e design de Ana Rodrigues. Estes são alguns dos elementos que poderemos ver brevemente em cena.
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Texto original: Rosa Dias
Encenação: José Maria Dias
Assistência de encenação: Sara Túbio Costa
Interpretação: Ren D-Marcus
Música Original: João M. Mota
Figurinos: Zé Nova
Apoio ao Movimento: Rafael Barreto
Design de Comunicação: Ana Rodrigues
Espaço Cénico: José Maria Dias
Execução de Cenografia: Ivan Castro, Ana Rodrigues
Desenho de Luz: Ivan Castro, José Maria Dias
Sonoplastia: Emídio Buchinho
Apoio à Execução de Guarda-Roupa: Gertrudes Félix
Operação Técnica: Ivan Castro
Edição de Vídeo integral, teaser e trailer: Bere Cruz
Captação de Imagem: Bere Cruz, Inês Monteiro Pires, Sandro Pereira
Fotografia: Helena Tomás
Produção e Comunicação: Patrícia Paixão, Sara Túbio Costa, Graziela Dias
Apoio à Comunicação: Antena 2, O Setubalense, semmais, Setúbal Mais, Som da Baixa
Apoios: União das Freguesias de Setúbal, Set-Link
Bilhetes disponíveis na OMT, postos Ticketline ou online através de tinyurl.com/ErrodeGPTOOMT
Mais informações em: https://oteatrao.com/programacao/o-erro-de-gpto-ou-as-mentiras-de-pi