TUDO SOBRE A COMUNIDADE DAS ARTES

Mantém viva a cultura independente — apoia o Coffeepaste e ajuda-nos a chegar mais longe.

Mantém viva a cultura independente — apoia o Coffeepaste e ajuda-nos a chegar mais longe.

Selecione a area onde pretende pesquisar

Conteúdos

Classificados

Notícias

Workshops

Crítica

Notícias

"Class Enemy", um "microcosmos da sociedade" atual, em estreia no Teatro Carlos Alberto

Por

 

LUSA
January 21, 2026

Partilhar

"Class Enemy", um "microcosmos da sociedade" atual, em estreia no Teatro Carlos Alberto

“Class enemy”, peça de Nigel Williams que se estreia na quinta-feira, no Teatro Carlos Alberto, no Porto, “é uma espécie de microcosmos da sociedade”, uma obra de "atualidade brutal", afirma o encenador Manuel Tur, em declarações à Lusa.


Para o encenador, trata-se de um projeto “bastante antigo” e "caro, com um elenco de sete pessoas", que esperava fazer há "pelo menos dez anos”, mas que só agora conseguiu erguer devido à rede de coprodutores que viabilizaram o trabalho, já que a sua estrutura não é financiada pela Direção-Geral das Artes, acrescentou à agência Lusa.


Escrita pelo romancista, dramaturgo e argumentista britânico Nigel Williams (1948) em 1978, “Class enemy”, nas palavras de Manuel Tur, é uma peça de “uma atualidade absolutamente brutal” apesar dos seus 48 anos.


"Algumas das falas parecem escritas nos dias de hoje, infelizmente”, disse Tur sobre o texto que se centra num grupo de adolescentes, em processo de marginalização, largados pelo ensino público, expondo o desmembramento do sistema escolar inglês, no final da década de 1970, quando emergia a cultura punk.


Seis rapazes, agressores e vítimas, entrincheiram-se na cave de uma escola em sinal de resistência a um sistema de ensino que creem estar contra si.


Nesse local, que é a sua fortaleza, há uma hierarquia de poderes completamente desequilibrada, marcada pela desigualdade e violência, as únicas expressões que conhecem.


Serão os jovens que rejeitam o sistema ou, pelo contrário, é o sistema que os descarta? A pergunta impõe-se ao longo da peça, em que não há vencedores, marcada por uma linguagem dura e crua.


Manuel Tur interessou-se por esta obra por se ter apercebido que aquela "sala de aula é uma espécie de microcosmos da sociedade”.


Segundo o encenador, aqueles alunos “representam uma série de vertentes, uma série de pessoas que compõem esta hierarquia dentro deste próprio espaço”.


“Mesmo sabendo que eles são os marginalizados, os que vão vandalizando”, há “realmente um pedido de ajuda constante durante toda a peça” vindo das personagens que, ao mesmo tempo, “expulsam e recusam todas as pessoas que possam vir a ensiná-los ou trazer-lhes alguma coisa”. E, no entanto, estão “desejosos de que alguém possa aparecer”.


Assim, ao longo da encenação, Manuel Tur "tomou sempre o partido do aluno".


“Class enemy” é “muito mais abrangente do que só uma reflexão sobre o sistema educacional”, defendeu, notando que o texto põe em cena alunos que estão “refundidos numa sala de aulas”.


“Parecem uma turma nem tanto de secundário mas quase uma turma das novas oportunidades, de uma escola de ofícios a quem estão a dar a última oportunidade para que, depois de saírem daqui, possam ser lançados para o mundo”, enfatizou.


Na encenação de Manuel Tur, e na cenografia que a acompanha, os seis alunos excluídos estão fechados numa cave bafienta que também foram destruindo, confinados a um espaço que o encenador definiu como “uma ampliação da própria exclusão familiar e pessoal em que vivem”.


"Estão longe do olhar de todos os professores, de todos os pais, dos inspetores, das aulas modelo”. Estão "longe do próprio sistema que também os recusa”, pois “é mais fácil o sistema recusá-los dizendo que são eles os vândalos, os marginais”, do que “olhar para eles e perceber como se pode resolver esta problemática”.


Mais do que uma sala de aula, “Class enemy” “é quase como um bairro social”, observou Manuel Tur, argumentando que "é mais fácil construir um bairro social numa periferia e mantê-lo longe de toda a gente, do que tê-lo por perto e termos de nos confrontar com ele e pensar sobre ele todos os dias”.


Para o encenador, a peça, que vive numa espécie de “movimento perpétuo”, fala igualmente sobre “a espera, sobre a ausência do silêncio”, num "círculo interminável" em que há sempre um professor que sai, outro que se aguarda que chegue, e os alunos estão sempre à espera que a aula acabe, apesar de preferirem estar ali do que em casa.


Em “Class enemy”, os adolescente passam toda a peça a agredirem-se, insultarem-se, a menosprezarem-se entre si, mas basta um professor apontar algum deles para “automaticamente” funcionarem “como um clã, ou como uma alcateia”, reorganizando-se contra o inimigo comum, disse o encenador.


“Mesmo que dois segundos antes se tenham espancado uns aos outros ou se tenham maltratado”, é naquela trincheira que vivenciam o companheirismo e a sobrevivência, notou.


Com tradução de Miguel Graça, cenografia de Ana Gormicho, figurinos de Sara Pazos, desenho de luz de Cárin Geada, desenho de som e sonoplastia de Joel Azevedo, “Class enemy” tem como intérpretes os atores Bernardo Gavina, Daniel Silva, Gonçalo Botelho, Gonçalo Fonseca, Lisa Reis, Tiago Araújo e Sérgio Sá Cunha.


Produzida pela 11Zero2 com apoio do Teatro Nacional São João, da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão e do Teatro Aveirense, “Class enemy” fica em cena no Teatro Carlos Alberto a partir de quinta-feira, 22 de janeiro, até dia 31, com récitas à quarta, quinta-feira e sábado, às 19:00, à sexta-feira, às 21:00, e, ao domingo, às 16:00.


Nos dias 06 e 07 de fevereiro, "Class enemy" estará na Casa das Artes de Famalicão, com Língua Gestual Portuguesa na segunda récita, e, em 13 de fevereiro, no Teatro Aveirense.


Foto: © José Caldeira (ensaio)

Apoiar

Se quiseres apoiar o Coffeepaste, para continuarmos a fazer mais e melhor por ti e pela comunidade, vê como aqui.

Como apoiar

Se tiveres alguma questão, escreve-nos para info@coffeepaste.com

Segue-nos nas redes

"Class Enemy", um "microcosmos da sociedade" atual, em estreia no Teatro Carlos Alberto

CONTACTOS

info@coffeepaste.com
Rua Gomes Freire, 161 — 1150-176 Lisboa
Diretor: Pedro Mendes

Publicidade

Quer Publicitar no nosso site? preencha o formulário.

Preencher

Inscreve-te na mailing list e recebe todas as novidades do Coffeepaste!

Ao subscreveres, passarás a receber os anúncios mais recentes, informações sobre novos conteúdos editoriais, as nossas iniciativas e outras informações por email. O teu endereço nunca será partilhado.

Apoios

03 Lisboa

Copyright © 2022 CoffeePaste. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por

"Class Enemy", um "microcosmos da sociedade" atual, em estreia no Teatro Carlos Alberto
coffeepaste.com desenvolvido por Bondhabits. Agência de marketing digital e desenvolvimento de websites e desenvolvimento de apps mobile