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Bailarina, actriz, escritora, modelo, produtora, Aurora Katana recusa qualquer caixinha. O novo álbum KATANA, editado a 6 de Março pelo selo Maternidade, é o terceiro LP de uma artista que construiu a sua identidade ao longo de uma década de trabalho transdisciplinar e que aqui se expõe como nunca. Electro-pop futurista e visceral, o disco nasceu do desejo de festejar a corpa na pista, mas foi atravessado por acontecimentos pessoais que o transformaram noutra coisa: um lugar de luto, de reconstrução e de fúria. Com as vozes da avó, da mãe e das irmãs gravadas nas faixas, KATANA é, acima de tudo, um manifesto autobiográfico, íntimo e político ao mesmo tempo.
KATANA é descrito como o teu disco mais pessoal. Há na sua génese a morte da tua avó materna e um período que defines como "dark-light". Como é que a dor se tornou o ponto de partida para um disco de electro-pop e dance?
A dor não foi o ponto de partida, a dor veio depois. O ponto de partida era o festejar da corpa na pista. Entretanto acontecimentos pessoais e trágicos surgiram e houve naturalmente essa mutação no disco. Um lugar onde consegui trabalhar fragilidades, inseguranças, alienação, canalizar luto e transformar dor em potências.
O álbum foi produzido por ti e inclui as vozes da tua avó, da tua mãe e da tua irmã. O que significou trazer a família para dentro do estúdio, e para dentro do disco?
A ideia sempre foi fazer um disco autobiográfico como se tivessem a debulhar páginas dum livro. Por essa razão quis trazer esse lado íntimo e gravar com a minha avó, mãe e manas. Minha avó e mãe representam as primeiras mulheres que ficaram ocultas e esquecidas, daí a importância de as representar também. A educação, luta e o amor delas construiu também quem eu sou hoje. As manas são o meu suporte e fonte de maior amor. Ninguém melhor que elas para suportar a minha vulnerabilidade e juntas esculpimos em safe space.
Falas num "vortex emocional-espiritual" e no desejo de "cavucar deep emotions enraizadas na minha corpa". Como distingues o que fica no registo íntimo do que partilhas publicamente numa faixa?
Não distingo, provém sempre das entranhas e é íntimo.
KATANA é o teu terceiro LP e defines-o como "o culminar da identidade AURORA". O que é que esta Aurora de 2026 sabe, ou consegue, que a Aurora de UTERUS (2019) ainda não conseguia?
Sabe ser mais paciente, madura, empática e uma pessoa um pouco menos ansiosa.
O teu percurso atravessa música, dança, teatro, cinema, literatura, performance. Como é que esse trabalho transdisciplinar alimenta a forma como produzes e compões, ou como é que a música te dá algo que as outras disciplinas não dão?
A música provém das entranhas e transforma o meu espectro emocional em potência. É o meu maior desafio em comparação às outras linguagens que desenvolvo. Desafiar-me a desobstruir pensamentos e reconstruir emoções no desenho de som e estímulos auditivos. Trazer o lado sci-fi e sonhadora múltipla da corpa biónica. Com a música sinto também necessidade de provar a mim própria que um dia irei conseguir ser boa em tudo o que produzo. Praticar sem parar e experimentar sem limites até um dia saciar toda essa sede. Gosto de ser ambiciosa e sonhar que um dia vou ser uma artista realizada.
Quando te perguntam se KATANA é um gesto político, respondes sem hesitação que sim. Que tempos são estes que o disco "reflecte", e o que achas que a música de dança tem de específico para ser palco de reivindicação?
É o reflexo dos tempos que atravessamos neste momento. É um grito político pós apocalipse. É resistência e fúria em tempos de guerra. É ter o privilégio de estar viva, festejar e dançar em comunidade mesmo em tempos de grandes retrocessos e devastações.
Descreveste o estúdio como o espaço onde podes ser "vulnerável" e o palco como onde te tornas "monstra feroz, implacável". O que muda concretamente na forma como apresentas estas faixas ao vivo?
Estar em palco é um lugar sempre novo para mim e cada apresentação é tão visceral e diferente. Permite-me praticar a corpa, neutralizar e canalizar as emoções através do palco. Sinto que estou sempre a aprender com o público e a trabalhar as minhas inseguranças. Um momento em que não estou sozinha e toda essa corrente me potencia e desafia a criar distância do objeto. Perceber que a música é um veículo que vai para além das minhas quatro paredes e festejar todas urgências com a minha comunidade.
Foto: © Alípio Padilha
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