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O diretor artístico do Teatro do Bairro Alto (TBA), Francisco Frazão, não foi reconduzido no cargo, confirmou o próprio à Lusa, numa altura em que a empresa municipal de Lisboa EGEAC realiza um “processo de avaliação conjunta”.
A notícia foi avançada pelo jornal Público na terça-feira, dando conta da saída do até aqui diretor do TBA, na sequência da não renovação do seu vínculo à EGEAC – Lisboa Cultura, que terminava no final de março.
Contactado pela agência Lusa, o programador cultural, que assumia o cargo desde 2018, disse sentir-se “triste e desiludido”, mas “não surpreendido” com a saída daquele teatro, um dos 25 espaços culturais tutelados pela EGEAC, desde museus, galerias, cinemas e monumentos em Lisboa.
“Estive aqui oito anos e o resultado é o mérito de toda a equipa que trabalhou comigo. Foi uma oportunidade rara de construir um projeto de raiz”, disse o tradutor e encenador que foi programador de teatro da Culturgest entre 2004 e 2017.
Sobre os motivos que lhe foram dados pela EGEAC para a saída, Frazão escusou-se a explicitá-los e remeteu a resposta para a empresa gestora: “Agradeceram o trabalho desenvolvido no TBA. As razões concretas devem ser explicadas pela tutela”.
Contactada por telefone e por ‘e-mail’, a EGEAC respondeu com uma declaração: “O Conselho de Administração da EGEAC está a desenvolver um processo de avaliação conjunta com o objetivo de decidir a recondução ou a não recondução dos atuais dirigentes”. “Em breve serão comunicadas as alterações que venham a decorrer deste processo”, acrescenta.
Questionado pela Lusa sobre se a continuidade da programação do TBA está em risco, Francisco Frazão disse que lhe foi dada a garantia pela EGEAC de que “está assegurada até ao final de 2026, já que há compromissos assumidos com artistas”.
“É importante pensar que a EGEAC é um parceiro de boa-fé. As pessoas não se devem eternizar nos cargos, acho isso normal, mas eu gostaria de ficar mais dois ou três anos para encerrar um ciclo final”, expressou Francisco Frazão, que em 2018 foi escolhido por concurso para o cargo.
O edifício do TBA - sede do Teatro da Cornucópia desde 1975 até ao seu encerramento em dezembro de 2016 - acolheu aquela companhia até à extinção e a Câmara Municipal de Lisboa assumiu a gestão do espaço, integrando-o na rede de teatros municipais geridos pela EGEAC.
A Lusa tentou contactar diretores de outros equipamentos culturais tutelados pela EGEAC sobre se já obtiveram alguma indicação da administração sobre o seu futuro, mas sem sucesso até ao momento.
Nas redes sociais, desdobram-se as reações ao anúncio da saída de Francisco Frazão, com o diretor do Teatro Nacional D. Maria II, Pedro Penim, a escrever que foi com “profunda perplexidade” que recebeu a notícia.
Depois de vários elogios ao desempenho de Frazão, Penim referiu ser “difícil compreender que um trabalho desta consistência seja interrompido sem explicação pública clara”, assinalando que “numa altura em que se ouvem, no espaço público, vozes que pretendem reduzir a diversidade da criação artística a critérios ideológicos estreitos ou a uma ideia empobrecida de identidade cultural, torna-se ainda mais importante defender espaços como o TBA”.
A fadista Aldina Duarte realçou: “Quando um país despreza pessoas inteligentes, cultas, competentes, dedicadas e honestas diz muito sobre todos nós”.
“O que acontece com o TBA é só um degrau desta escalada para a estupidificação que nos cairá sobre a cabeça inesperadamente. E não sou sequer amiga do Francisco Frazão, mas dos nossos bons encontros ocasionais agradeço-lhe cada minuto de riso e aprendizagem”, escreveu nas redes sociais a cantora.
Por seu lado, a atriz Teresa Coutinho escreveu um lamento “pela cidade, pelo público, pelos artistas, mas também pelo próprio TBA, porque [se sabe] que esta decisão não augura nada de bom para aquele teatro tão especial, que encontrou no TBA um digno sucessor do espaço da Cornucópia”.
Em janeiro, profissionais da Cultura lançaram uma carta aberta contra uma deputada do Chega na Assembleia Municipal de Lisboa, que pediu “uma cultura de direita” e criticou a programação do TBA.
Na carta aberta, os subscritores manifestavam “preocupação e indignação” com a intervenção de Margarida Bentes Penedo na 6.ª reunião plenária da Assembleia Municipal de Lisboa, no dia 13 de janeiro, acusando-a de “censura da programação de um teatro municipal”.
Em causa estavam as declarações feitas pela deputada do Chega, que apreciou o programa do TBA como “cultura panfletária”.
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