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Fuck the Polis, de Rita Azevedo Gomes, chega às salas de cinema portuguesas a 1 de outubro, com distribuição da Urtiga. O filme, produzido pela Basilisco Filmes, venceu o International Competition Award do FIDMarseille em 2025. A estreia vem acompanhada de sessões especiais com a realizadora em Coimbra, Lisboa e na Lourinhã.
O filme começou a nascer em 2007. Nesse ano, depois de um prognóstico de saúde pouco favorável, a realizadora decidiu visitar a Grécia, um país que sempre fizera parte do seu imaginário e que passou a ser urgente conhecer. Em 2019, contou essa viagem pelas ilhas gregas ao amigo e poeta João Miguel Fernandes Jorge. Inspirado pelos relatos, ele escreveu e publicou A Portuguesa, o conto que deu à realizadora o "empurrão" para transformar a viagem num filme. No conto, a protagonista chama-se Irma, e é a partir da sua história que se constrói a narrativa: depois de saber que tem uma doença fatal, Irma percorre a Grécia por um caminho ditado pelo deus Apolo e pelos lugares que lhe são consagrados.
Em 2024, Rita Azevedo Gomes voltou à Grécia para refazer o percurso, desta vez com Bingham Bryant, João Sarantopoulos, Loukianos Moshonas, Mauro Soares e Maria Novo. O grupo dá corpo e voz ao filme e é também a equipa técnica: a câmara foi passando de mão em mão à medida que descobriam as ilhas. No filme alternam-se imagens em super 8, em digital e em baixa resolução, que remetem para os vários tempos que se cruzam. As paisagens gregas contrastam com o vermelho dos campos de papoilas, e ao longo da longa-metragem vão surgindo danças tradicionais gregas.
Fuck the Polis junta três viagens: a que Rita Azevedo Gomes fez de facto, a de Irma e a que estava a acontecer com o grupo. É a voz da cantora e ativista política grega Maria Farantouri que as une. Na noite em que chegou à Grécia, em 2007, a realizadora assistiu a um concerto de Farantouri sem saber quem ela era. Nesta segunda viagem, a cantora aparece em pessoa, na reta final, em casa, num momento de intimidade em que partilha a sua voz.
O argumento foi escrito com Regina Guimarães. O filme passa pelo português, pelo grego, pelo francês e pelo inglês e, além do conto de Fernandes Jorge, convoca textos de Keats, Camus e Byron, entre outros. Na nota de intenções, a realizadora conta que o filme se chamou primeiro "A Céu Aberto". O título definitivo veio de um graffiti num muro e do poema "Rua Doménikos Theotokopoulos", de Fernandes Jorge, que termina com o verso "na parede, a negro – fuck the polis". É uma metáfora para um mundo a desintegrar-se política, social e ambientalmente, "sob a luz indiferente de qualquer deus que possa existir", nas palavras da realizadora.
O filme tem passado por festivais na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul, incluindo o DocLisboa, o CPH:DOX e o Doc Fortnight do MoMA, e já está em exibição comercial em Espanha. Rita Azevedo Gomes trabalha desde os anos 1970 entre o cinema, o teatro, a ópera e as artes visuais. É autora de filmes como Frágil Como o Mundo (2001), A Vingança de Uma Mulher (2010), Correspondências (2016), A Portuguesa (2018) e O Trio em Mi Bemol (2022).
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