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João Botelho fez um filme sobre um ditador em tempo de "momentos perigosos"

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LUSA
April 29, 2026

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João Botelho fez um filme sobre um ditador em tempo de "momentos perigosos"

Numa altura em que “os ignorantes são arrogantes e chegam ao poder e mandam”, o realizador João Botelho quis fazer um filme sobre “o velho Salazar”, que estreia esta semana no festival de cinema IndieLisboa.


“Estamos a viver momentos perigosos e apeteceu-me dar uma aula. Não é nem um documentário nem é ficção, é cinema. Peguei em atores, peguei em textos” que ajudam a traçar um perfil mais íntimo de António de Oliveira Salazar, disse João Botelho à agência Lusa, a propósito de “O Velho Salazar”.


No filme, João Botelho conjuga fotografias, áudios, imagens de arquivo e encena curtos depoimentos de figuras muito próximas do ditador - o médico, o calista, o conselheiro, a governanta. Esses depoimentos são representados, por exemplo, pela atriz Maria Rueff enquanto Maria de Jesus, a governanta de Salazar, o ator Dinarte Branco no papel do cardeal Manuel Cerejeira, ou o ator Hugo Mestre Amaro a interpretar o diretor do Serviço de Propaganda Nacional António Ferro.


João Botelho avisa que todos os textos ditos no filme são verdadeiros, retirados da pesquisa e de livros que são mostrados no início do filme, que arranca com uma fotografia de arquivo, na qual António de Oliveira Salazar está sentado na relva, encostado a uma árvore e de pernas esticadas, desvendando um buraco na sola de um sapato.


“É um ser mesquinho que mandou neste pobre país durante 50 anos. As pessoas esquecem-se do sofrimento que havia. […] É mostrar o que está por detrás daquela máscara hedionda e mesquinha”, sublinhou João Botelho, que nasceu em Lamego em 1949.


“O Velho Salazar”, com produção da Ar de Filmes, estreia-se no festival IndieLisboa na quinta-feira e deverá chegar aos cinemas depois do verão. João Botelho quer que o filme seja exibido em conjunto com o documentário “O Jovem Cunhal”, que fez em 2022 sobre o antigo líder do PCP Álvaro Cunhal.


“Há uma frase do Pacheco Pereira que me levou a isto. Que só houve dois homens coerentes em Portugal no século XX: Álvaro Cunhal e o Salazar. Quer um, quer outro são uma espécie de comédia e tragédia de 50 anos de Portugal e acho que é preciso avivar a memória das pessoas”, disse João Botelho.


Sobre “O Velho Salazar”, que termina com imagens de arquivo do funeral do político, às quais sobrepôs a canção “Coro da Primavera”, de José Afonso, João Botelho disse que é apenas cinema feito “a pensar nos jovens, que se esqueceram de tudo”.


“E é aquela frase: A rir podemos matá-los. Se for muito sério é um panfleto político, mas a rir… incomoda, o riso. […] Estamos numa altura em que os ignorantes são arrogantes e chegam ao poder e mandam. De leste a oeste estamos cercados por ditadores que são pouco cultos e que não querem desenvolvimento. Querem obediência”, disse João Botelho.


Dinis Gomes, Catarina Wallenstein, Cláudio da Silva, João Pedro Vaz e Fernando Cabral Martins são outros protagonistas deste filme.


Enquanto “O Velho Salazar” chega ao cinema, coincidindo com o centenário da revolução militar de 1926 que conduziu à ditadura, João Botelho acabou de filmar uma adaptação de “Rei Lear”, de William Shakespeare, com tradução de Álvaro Cunhal.


Esta mesma tradução da peça acaba de ser encenada por António Pires para o Teatro do Bairro, em Lisboa, e será reposta em julho no Casino Lisboa. O filme de João Botelho foi rodado com os mesmos atores da peça, com Adriano Luz, Carolina Campanela, Cláudio da Silva ou Crista Alfaiate, entre outros.


“É um texto magnífico, atual, sobre as más escolhas”, resumiu João Botelho.


A 23.º Festival Internacional de Cinema IndieLisboa decorrerá de 30 de abril a 10 de maio em várias salas da capital.

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