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O Luca Argel lançou o seu mais recente álbum – O Homem Triste. Toda a inquietação sentida, desde sempre, foi sendo adicionada a esta receita do que é ser, afinal, um homem. Durante as semanas que antecederam o lançamento do álbum, fomos recebendo umas sugestões de pensamento - aquilo que os ingleses chamam de food for thought. Papéis de género, lugar do homem, lugar da mulher. O que o homem tem de deixar de fazer quando se torna homem. Ao mesmo tempo, fomos recebendo, semanalmente, cada música. Uma a uma, para ir adoçando a boca e abrindo a apetite para mais.
O disco saiu e, com ele, as datas dos concertos de lançamento.
Era segunda-feira. Uma segunda-feira sui generis, depois de um fim de semana cansativo. Mas não podia deixar de aparecer.
Entrámos no Maria Matos e fomos recebidos por um Luca sentado, olhando para nós. Como se o espetáculo fosse, afinal, cada uma das pessoas que resolveu sair de casa – com ameaços de chuva – para o ir ouvir.
Ao estar em palco, olhando, acenando, sorrindo o Luca começou logo por quebrar aquela 4ª parede, aquela distância que nos separa, levando-nos logo para junto do artista – um homem como todos os outros, um homem na multidão – um Homem com H.
Toda a linha de composição do concerto é uma história alinhavada entre memórias de infância, dores de crescimento e doçura. A cada música que vou ouvindo compreendo que sim, este é o caminho – o caminho que nos leva a todos, em comunidade, a viver melhor. Perguntaram-me uma vez como era possível eu conseguir chorar em frente a terceiros – se não sentia que estava a demonstrar fraqueza. Na altura, a pergunta fez-me pouco sentido – sim, choro muito – mas sempre cresci na certeza que exprimir os nossos sentimentos é a nossa maior força. Mostrar amor, dor, empatia não é, nem nunca poderá ser, encarado como fraqueza.
O Luca estava feliz em palco – estava no seu meio – a passar a sua verdade. Estava rodeado pelos seus – e isso percebe-se em cada troca de olhares entre os músicos. Neste concerto especial, contámos também com a presença do Moreno Veloso, produtor do disco, que nos trouxe uma pitada doce do outro lado do Atlântico para esta receita do Homem triste a que estamos a ser apresentados.
O concerto termina num ambiente de festa – toda a gente de pé a bater palmas e a sorrir.
E é aí que faz sentido o inicio do concerto. É aí que compreendo porque estava o Luca sentado, olhando cada um de nós, esperando ver cada um sentar. Depois de segunda-feira, somos, cada um, os novos mensageiros – os novos portadores desta verdade: num mundo caótico, doente, gerido por narcisistas com poder somos nós as ferramentas dessa cura. É à saída do teatro que a cura começa – como diz uma das músicas.
E não, não vou conseguir contar muito – o que quero mesmo é que procurem os concertos dele e assistam – porque precisamos ser mais portadores desta verdade.
O Luca não é um Homem com H. É um homem com o alfabeto inteiro dentro dele. E ainda temos muitas letras dele por ouvir.
Próximas datas:
7 de Março – Cine-Teatro S. João, Palmela
11 de Março – Samba de Guerrilha, Convento de São Francisco, Coimbra
27 de Março – New Fizz, Barcelona
01 de Abril – Latroupe Clube Prado, Madrid
Foto: © Kristallenia Batziou
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