Durante uma semana vamos construir um Gabinete de Curiosidades: uma constelação de fósseis, fotografias, plantas, experiências e até uns óculos especiais que nos vão ajudar a observar um eclipse em segurança. Através do cruzamento entre disciplinas artísticas — fotografia, ilustração e escultura — e áreas científicas como a botânica, a astronomia e a biologia, vamos explorar os fenómenos que tornam o nosso planeta tão extraordinário.
Inspirados pelos antigos Gabinetes de Curiosidades — espaços onde se reuniam exemplares naturais, invenções, fósseis, mapas e objetos raros para compreender o mundo — vamos criar a nossa própria coleção contemporânea, refletindo sobre a biodiversidade, a ecologia e as transformações do planeta. Numa abordagem que combina observação, experimentação e criatividade, os participantes serão convidados a olhar para a Natureza com mais atenção, descobrindo novas formas de compreender e valorizar os ecossistemas que nos rodeiam.
Ao longo da semana iremos explorar diferentes técnicas científicas e artísticas para produzir objetos que integrarão este Gabinete de Curiosidades. Vamos criar fósseis, construir uma câmara escura, fabricar óculos para observação segura de eclipses, realizar experiências científicas, imprimir plantas através da técnica da cianotipia e inventar novas peças a partir das perguntas e descobertas que surgirem durante a semana.
Cada atividade será uma oportunidade para investigar fenómenos naturais, desenvolver a criatividade e refletir sobre a relação entre os seres humanos e o ambiente que habitam. No final da semana, o grupo apresentará um Gabinete de Curiosidades construído em conjunto: uma coleção única de objetos, imagens, experiências e histórias produzidas pelas crianças.
Metodologia
As atividades decorrem em formato de oficina, privilegiando a experimentação, a descoberta e o trabalho em grupo. As propostas serão adaptadas aos interesses e curiosidades dos participantes, permitindo que o gabinete se transforme ao longo da semana através das contribuições de cada criança.
Cada participante poderá levar consigo alguns dos objetos produzidos e contribuir para a criação de uma instalação coletiva apresentada no final da atividade.
Informações
Equipa
Maria João Braz Lopes é investigadora na área da Química Aplicada e doutoranda em Química na Universidade do Porto. O seu trabalho centra-se no desenvolvimento de nanomateriais e sistemas inspirados na natureza para captação e transporte de energia. Paralelamente à investigação científica, explora a ligação entre arte, ciência e sustentabilidade através de projetos experimentais e educativos que promovem a curiosidade, a observação e o pensamento crítico. Acredita que a criatividade e a experimentação são ferramentas fundamentais para compreender o mundo e aproximar as pessoas da ciência.
Ana Vieira de Castro é professora e artista visual com formação em Artes Visuais, Fotografia, Museologia e Curadoria. O seu percurso profissional cruza a criação artística com a educação, tendo trabalhado como produtora nos Encontros da Imagem - Festival Internacional de Fotografia e Artes Visuais e no Porto Photo Fest, onde foi também curadora. Lecionou artes visuais e fotografia em diversas instituições e lidera programas internacionais de ensino superior em fotografia em conjunto com as Universidades de Chester e Hertfordshire, desenvolvendo conteúdos pedagógicos e orientando alunos ao longo dos seus percursos académicos. O seu trabalho artístico tem sido reconhecido em publicações e exposições nacionais e internacionais, com uma trajetória que reflete um compromisso consistente entre pensamento visual e a educação artística.
Ivan Silva estudou optometria, o que o levou à antropologia visual e à química fotográfica. Completou o curso profissional de fotografia no IPF e o Mestrado em Design da Imagem na FBAUP. Tem desenvolvido uma investigação sobre o papel das imagens que adota uma postura iconoclasta e explora diferentes métodos de criação, com particular interesse por técnicas vernaculares e processos experimentais. No seu percurso expositivo destaca-se o projeto #nextluk que inclui apresentações no Museu da Vila Velha, em Vila Real (2018), e no festival Circulation(s) (2019). Mais tarde colaborou com Carlos Trancoso na exposição na Dentro e na Bienal da Maia. Co-fundou o coletivo Barda, é artista residente no Túnel e já colaborou com o CPF, ESAP, CAV, IPF, IPCI, Museu Nadir Afonso.
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