Oficina intensiva na área da dança, corpo e movimento tendo como foco a construção de ferramentas pessoais e coletivas de movimento e performatividade. Vamos explorar diferentes formas de preparar o corpo, assim como utilizar diferentes vocabulários como forma de auto conhecimento e desenvolvimento artístico. Ter um corpo e ser um corpo numa era hiper digital, privilegiando a escuta e a prática. Ninguém chega como uma folha em branco e isso também é importante.
Teremos cinco dias para explorar, juntos e individualmente, diferentes abordagens sobre criatividade, narrativa, conceitos concretos e abstratos e como fazer a transição da ideia para o corpo e do corpo para a ideia, não num esquema binário e linear, mas numa espiral entrelaçada.
O trabalho criativo não tem uma forma única, e isso é tão empolgante quanto complexo. Podemos desenvolver o nosso trabalho de muitas maneiras diferentes, todas potencialmente corretas, para explorar e construir ferramentas que nos sirvam.
Usaremos diferentes exercícios e métodos, partindo da exploração de diferentes práticas, assim como recursos que nos trazem danças como Whacking, Voguing, Break, House, danças de cariz tradicional do norte de África, dança contemporânea e suas práticas de improvisação. Vamos também passar por alguns processos de criação das peças .G RITO e ONYX.
Entender não só através do saber, mas do sentir e fazer, todos juntos. Pressões e opressões geram corpos. Liberdade e prazer geram outros corpos. Luta e reivindicação têm um peso. Celebração e festa outro.
Carregamos também a nossa ancestralidade e as nossas vivências e quando absorvemos outras ancestralidades e corpos cheios, geramos movimentos imensos.
PINY - Acredita numa criação artística livre, social e politicamente conectada. É bailarina, performer, coreógrafa, pesquisadora, produtora e professora de práticas cruzadas.
Natural de Lisboa de ascendência angolana, Piny formou-se em Arquitectura e fez uma pós-graduação em Cenografia, ambas na Faculdade de Arquitectura de Lisboa. Depois, concluiu a licenciatura em Dança Contemporânea em Lisboa.
Em 1999, começou a estudar danças do Médio Oriente e Norte de África e suas experimentações e fusões contemporâneas, e desde 2006 também se dedicou à cultura Hip Hop e Clubbing, através da dança (Breakdance, House, Waacking, Vogue), Djing e graffiti. A sua formação foi feita entre a partilha informal na rua e aulas entre Lisboa, Paris, Amesterdão, Nova Iorque e outras cidades. Em 2006, fundou a crew ButterflieSoulFlow e em 2012, o coletivo Orchidaceae, apresentando o seu trabalho e lecionando entre a Europa, Ásia e América. Co fundou o coletivo Vogue PTChapter, organizando eventos dentro da comunidade Ballroom. Desenvolve o seu trabalho como performer, tendo colaborado com artistas como Marco da Silva Ferreira, Vitor Hugo Pontes, Raquel Castro, Cristina Planas Leitão, Boris Charmatz, Filipa Francisco, Tânia Carvalho, Tiago Guedes, Batida, Chullage, Vânia Doutel Vaz, entre outres.
Desenvolve o seu próprio trabalho, destacando nos últimos anos as peças "Geometria Sagrada - um estado meditativo", “Periférico” em colaboração com o artista visual Vhils, "HIP. a pussy point of view", "Entre a realidade e o sonho onde me sento", ".G RITO" e "ONYX".
Em 2023 iniciou o festival OU.kupa, em Lisboa, festival-celebração centrado no pensamento, recolha de arquivo e criação artística dentro das danças de rua e clubbing. Nos últimos anos tem desenvolvido trabalho de curadoria, produção de eventos, formação, programação e mentoria. Segue estudando e elaborando formas alternativas de entender a interseccionalidade no estar e fazer, através do estudo de astrologia, tarot, hatha yoga, Advaita Vedanta e filosofias não eurocentradas.