Apresentado com o Alkantara Festival
Vestidos de roxo a combinar, Inés Sybille Vooduness e Malvin Puerca de Goma movem-se por entre peças metálicas suspensas que balançam e ressoam à sua volta. Inspirando-se em formas de dança caribenhas e africanas, como o Kuduro, o Dancehall e o Denbow, a sua coreografia cria uma paisagem sonora em constante transformação, onde a identidade é remixada através do ritmo, da fricção e da ressonância coletiva.
Cadências crioulas, dez mil vezes desdobradas pulsa entre a referência e a reinvenção. Por vezes, os performers surgem como os gémeos Marassa da cosmologia vodu — figuras de dualidade, transformação e mistério. Noutras ocasiões, os seus corpos tornam-se antenas, captando e reconfigurando fragmentos de gestos, imagens de arquivo, cultura da internet e experiências vividas.
Através do som, do movimento e da vibração, a obra abre um espaço onde a memória é continuamente reativada e transformada — uma paisagem diaspórica suspensa entre ritual, celebração e sobrevivência.
Inés Sybille Vooduness é bailarina, investigadora cultural e professora. Nascida em Barcelona, filha de mãe catalã e pai haitiano, o seu trabalho explora o vodu haitiano através da coreografia, criando encontros imaginados entre tradições espirituais e formas contemporâneas de dança, como o Kuduro (Angola), o Coupé-Décalé (Costa do Marfim) e o Dancehall (Jamaica). Entre os seus trabalhos anteriores destacam-se Santa de substrato autónomo, apresentado na La Casa Encendida, e no festival Ou.kupa, e Simbi em águas astronómicas, apresentado no TNT Festival e no TBA. Em 2024, integrou o programa intensivo de oito semanas Common Lab, do projeto europeu Creative Europe Common Stories.
Malvin Puerca de Goma é bailarino e coreógrafo, nascido em Santo Domingo, na República Dominicana. O seu trabalho atravessa a dança clássica, contemporânea e de improviso, explorando questões ligadas à identidade da diáspora caribenha. É diretor da plataforma Zebra Prieta e venceu o 35.º Concurso Coreográfico de Madrid, em 2021, com El mal comío no piensa. Participou em grandes produções como Cecilia Valdés, no Teatro de la Zarzuela, e Un Ballo in Maschera, no Teatro Real, além de colaborar com a companhia belga Dunia Dance Theatre, dirigida por Harold George.
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