Terra Ardida constrói-se como um território fragmentado e habitável, onde múltiplas vozes atravessam a Casa Cheia em estado de combustão. Entre corpo, palavra, som e imagem, a performance-instalação recusa a narrativa linear e instala-se num espaço de tensão permanente entre o íntimo e o coletivo, o quotidiano e a catástrofe, a memória e o presente em colapso.
Ao longo de quatro horas, o espaço transforma-se continuamente: performance, exposição, música, poesia e vídeo coexistem como matéria viva em permanente
circulação.
O público é convidado a entrar, sair, permanecer, regressar, escutar ou participar - habitando livremente este território em mutação.
Aqui, o fogo não é apenas elemento: é linguagem, herança, violência e possibilidade de transformação. Arde na guerra e na destruição, mas também no cuidado do lar - na cozinha, na sala, na transmissão entre gerações. Arde no corpo - por fora e por dentro - marcando-o, alterando-o, tornando-o arquivo vivo de experiências, traumas, desejos e resistências.
As vozes que emergem - ora poéticas, ora cruas, ora políticas - expõem um mundo em contradição: um sistema que consome, explora e aniquila, enquanto promete progresso e celebração. Entre imagens, esculturas, pinturas, textos dispersos pelo espaço e memórias íntimas, desenha-se uma reflexão sobre responsabilidade, culpa e pertença, onde o indivíduo se confronta com o peso das suas ações e omissões.
Num espaço que oscila entre julgamento, instalação e ritual, Terra Ardida convoca o público não como observador passivo, mas como parte integrante de um
corpo coletivo em escuta. Poemas podem ser lidos, vozes podem sobrepor-se, silêncios podem permanecer. A linguagem fragmenta-se, ecoa e reaparece - como cinza no ar ou como água que insiste em cair sobre o que ainda arde.
Entre ruína e regeneração, interrogamo-nos: que possibilidade existe de, a partir da terra queimada, voltar a fazer nascer algo - memória, identidade, futuro.
Produção: Projeto_S_Nome
Duração: Aproximadamente 4h
Classificação Etária: +12
Direção: Rui Miguel, Sara Azevedo
Interpretação: Carolina David, Inês Custódio, Rui Miguel, Sara Azevedo
Cenografia e figurinos: A definir
Sonoplastia: A definir
Desenho de Luz: A definir
Design Gráfico: Rui Miguel